A Educação no Tempo - Luchesi

Artur Júnior dos Santos Lopes

INTRODUÇÃO

Neste trabalho procurei ampliar minha visão, evitando a analise sobre os aspectos filosóficos, e me detive muito mais sobre o resumo e destaque dos aspectos que mais me chamaram a atenção.
Tive uma grande dificuldade de trabalhar com o texto por causa do distanciamento que tenho da área pedagógica. Com isso tive de fazer um esforço muito maior para compreender e tentar sintetizar os assuntos abordados por Cipriano.
O texto pretende fazer uma análise de como a didática está sendo tratada. O período é do regime militar. Foi editado provavelmente no final da década de 70 e aborda tópicos como a lei 5.692/71 que nos remete, portanto, ao auge do ditatorialismo.
O texto está organizado em subtemas. O primeiro aborda “o papel da didática” que se destina “à formação do educador”. O foco central de seu discurso é, portanto, o Educador. Vejamos como faz isso.

 
1. DESENVOLVIMENTO

O autor trabalha com a visão de didática como reflexão sobre a prática educacional e que em nenhum momento pode estar dissociada desta prática. Além disso, tem papel de elo fundamental entre os diversos aspectos que compõem a educação.
São destacadas duas formas de aprendizagem. Primeiro a Aprendizagem Espontânea: acontece no contato com os outros, com nossas próprias experiências e com nossas meditações pessoais. É um processo despretensioso que ocorre naturalmente e por isso não tem preocupação com a forma.
Por outro lado temos o desenvolvimento de condutas desejáveis. Este é um processo de Aprendizagem Estruturada que remete a formação profissional universitária. Lembra o pensamento da “conquista do canudo”.
Coloca o educador com ser humano e que pode ser objeto ou autor. O Educador objeto: Não é autor nem ator da história, não tem consciência.
Educador autor: Vê o educador como condutor consciente de um projeto histórico que esteja voltado para o homem. Logo não será executor de uma diretriz do poder, mas um forjador de projetos históricos para o desenvolvimento do povo.
Esta compreensão do educador traz consigo três conseqüências:
1º - Sendo parte de um projeto histórico, as ações do educador estão perpassadas em sua raiz por um grande teor “ideológico”. Portanto as ações do educador não são neutras, tem uma identificação ideológica.
A identificação ideológica que o autor expressa, não me parece ter um caráter contaminado. Parece ser ideológico por estar comprometido com suas próprias idéias.
2º - Aqui o autor coloca a obrigatoriedade de seguir uma linha ideológica. Precisa fazer opções teóricas, filosófico-políticas, por uma teoria do conhecimento, pela repetição ou criação de modos de compreender o mundo, por fundamentos práticos para sua ação, que vão se refletir na escolha da maneira como vai se processar a práxis educativa.
3º - A prática educacional não pode ser burocrática. Precisa de um comprometimento ideológico e efetivo. Tem que ter paixão.
Luckesi apresenta algumas preparações necessárias para a formação do educador.
Formação de uma atitude dialeticamente crítica sobre o mundo e sua prática educacional. O educador deve ter uma visão total, e compreensão global da educação.
Expõe a relação autoritária entre o formador e o formando que existe na educação bancária vigente. Sugere a atuação prática e conjunta do formador e formando com o mundo e daí a meditação sobre a prática pedagógica. Seria esta a solução para o problema.
Em síntese, cabe colocar que a formação do educador deve ser um modo de auxiliá-lo a adquirir uma atitude crítica diante de tudo assim habilitando a estar em um processo educativo.
Sobre estes aspectos a didática coloca-se como mecanismo de preparação para o educador. Diferentemente do que era no classicismo, onde a didática demonstrava função de facilitadora da transmissão de conteúdos principalmente cognitivos. Liga o conceito grego com a sua situação atual (período ditatorial), onde a didática deve facilitar o desenvolvimento de conteúdos científicos, e uma forma de massificar a ideologia dominante.
Esta ideologia coloca o educador na função de dominar tecnicamente formas de facilitar a aquisição de determinados tipos de postura desejáveis pelo aluno.
Enfatiza o destaque da metodologia, em detrimento de outros 3 aspectos (filosófico, político e epistemológico), que ficou claro na análise da lei 5692/71, que tem base na conquista de resultados imediatos e precisos.
Neste ponto lembra a questão do planejamento colocado na última aula. O planejamento pelo planejamento. Quem redige um objetivo processa melhor a educação, etc. Apresenta a proposta de que há espaço para todos os aspectos componentes do ensino nos seus diversos campos, o planejamento é apenas um destes aspectos.
Esta abordagem didática causa um afastamento entre a teoria e a prática. Contribui para o distanciamento entre o pensamento crítico da prática educacional e as atividades profissionais. Desvincula a teoria dos campos ideológico e científico. Esfacela a relação entre prática e teoria.
Coloca que a defesa desta didática está apoiada em fundamentos da psicologia. Mas isso é um reducionismo que deve ser evitado, pois as formas de aprendizagem não devem nortear o projeto pedagógico. A questão não pode ser reduzida apenas ao como fazer. Precisa ser mais abrangente.
Percebe que a “hipertrofia técnica, o esfacelamento da relação teoria/prática, e a redução dos fundamentos da prática educacional” tem o papel de desestabilizar qualquer projeto histórico comprometido com o desenvolvimento do povo. Tem a função de desviar ideologicamente a prática pedagógica.
A didática está contaminada pela ideologia do senso comum. Colaboram para isso “um descuido de uma compreensão filosófica do mundo e do educando”, a “não compreensão de uma teoria do conhecimento norteadora da prática educativa”, o “mal entendimento do papel de um material didático...”,”...que de subsidiário do ensino passa a ocupar papel central de transmissor de conteúdos e implicitamente de ideologias oficiais”.
Retoma a separação entre teoria e prática entre, “como fazer” e “o que fazer”. Coloca os pontos positivos para o mercado e para o “como fazer” em detrimento do “que fazer” educacional autêntico. Fala da inseparabilidade dos processos de avaliação, planejamento e execução que uma vez separados facilitam a manipulação.
Conclui mostrando a importância de conjugar o “o que fazer” e o “como fazer” na construção de um projeto histórico. Alerta que a reflexão sobre a prática pode levar a conquista de meios para atingir os fins e que a meditação nos meios não conseguem efetivamente chegar aos fins.
Demonstra sua tese apoiado na necessidade dos educadores de conseguir receitas para atingir seus objetivos.
Coloca a didática como um laço entre as opções filosófico-políticas, os conteúdos profissionalizantes e o exercício da educação, dentro do processo ensino aprendizagem.
A didática não pode ser vista de uma forma isolada do contexto da prática educacional, deve ser o pensamento crítico sobre esta prática.
Em fim a didática deve transformar os posicionamentos teóricos em práticas educacionais.
 
CONCLUSÃO

Verifico pontos muito positivos neste texto, principalmente a visão holística do educador, principalmente no que se refere à didática. Esta atividade não pode ser em momento algum apenas uma forma de como fazer, mas precisa estar em inserida em uma questão de muito maior profundidade. Precisa-se discutir onde se quer chegar, além de como chegar.
Há ainda um fator ideológico que deve nortear toda a ação didática, pois não é possível caminhar para algum lugar sem ter noção do caminho e da direção que se pretende seguir.
Precisamos ainda discutir alguns pontos, como: É possível compreender algo totalmente? Como pode a ideologia formar-se no processo dialético do dia-a-dia?

Porto Alegre, 7 de Agosto de 2005

Comments