Veja - Sete medidas para a educação

Atur Júnior dos Santos Lopes
 
Parece bastante simples apontar medidas científicas e exatas para melhorar a educação. Nossa bela LDB traz medidas vigorosas para melhorar o desempenho escolar. Dentre as medidas apontadas, na reportagem da Veja do dia 18 de junho: Sete medidas testadas – e aprovadas, todas me pareceram significativas:
(1) Só os melhores ensinam;
(2) Para cada estudante de pedagogia, um tutor;
(3) Tornar atraente a carreira de professor;
(4) MBA para os diretores;
(5) Auditoria na sala de aula;
(6) Roteiros para ensinar;
(7) Aula particular de graça.
Ante estas máximas proponho algumas questões:O que se está procurando com esta educação? Ou melhor: Que tipo de educação é esta que está proposta? Será que estes são os principais problemas da educação brasileira?Temo que tenhamos muito a pensar a este respeito. Ainda assim me precipito a algumas respostas: Parece que com esta educação se está procurando aumentar os níveis de aprendizado técnico. Tornar a vida de professor atrativa, como se já não o fosse. Focar no desempenho, na competição.Rendo-me à realidade. Realmente é isso que o mundo precisa. Pessoas que se aproximem cada vez mais das máquinas e consigam distinguir entre um círculo e um quadrado, que consigam utilizar bem a lógica para desenvolver bons sistemas computacionais, desenvolver boas redes neurais de computadores e lógicas fuzzy muito consistentes.Mas enquanto ser humano, talvez em um nostálgico estado romântico idealista, percebo, que neste momento, principalmente em nosso país, não precisamos de tantas cobranças, estamos precisando de mais calma. Mais amor. Mais valores humanos. Menos pressa. Precisamos ter mais tempo para pensar. Precisamos que a produção dê uma trégua para o ser humano, para que ele seja.
Hoje não somos. Apenas estamos, e vamos estando, estando, até que as condições humanas se saturem e o que nos diferencia dos animais se perca, dando lugar à bizarrice.
Vejamos o caso Isabella, a menina de oito meses jogada pela janela do sexto andar de um prédio em Curitiba esta semana.Precisamos nos preparar para sermos humanos. O desempenho não é de todo o mau. Mas precisamos desenvolver coisas mais fundamentais em nosso país. Precisamos desenvolver o senso de humanidade, de dignidade humana. Estabelecer os limites até mesmo para o que a maioria julga certo.
 
 
Porto Alegre, 02 de julho de 2008
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