Artigo: RELAÇÃO ENTRE FENOMENO DE KANT E O SER-PARA-OUTRO EM HEGEL


RELAÇÃO ENTRE FENOMENO DE KANT E O SER-PARA-OUTRO EM HEGEL

RELATION BETWEEN PHENOMENON IN KANT AND BEING-FOR-OTHERS IN HEGEL

Artur Júnior dos Santos Lopes*

 

RESUMO

A intensão de fazer da filosofia algo próximo à ciência empírica e apartada da metafisica ou do comprometimento ontológico, persegue a história dos filósofos a bastante tempo. Desejo lhes apresentar duas visões possíveis. Como Kant e Hegel se relacionam com esta questão tendo aproximadamente 31 anos entre eles? É possível uma relação entre o fenômeno kantiano (1781) e o ser-para-outro hegeliano (1812)?

Palavras-chave: Hegel, Kant, ciência, lógica, transcendental, ser-para-outro, coisa-em-si.

ABSTRACT

The intention of doing the philosophy something close to empirical science apart from metaphysics or ontological commitment, pursues the story of philosophers for some time. I wish to give you two possible views. How Kant and Hegel relate to this issue having about 31 years between them? Is possible a relationship between the Kantian phenomenon (1781) and being-for-others (1812) Hegelian?

Key words: Hegel, Kant, science, logic, transcendental, being-to-others, thing-in-itself.


 

INTRODUÇÃO

“Nada é mais fácil do que julgar o que tem conteúdo e solidez; aprendê-lo é mais difícil; e o que há de mais difícil é produzir sua exposição, que unifica a ambos.” (HEGEL, 2003. Pág. 27)

 

De acordo com a perspectiva que temos a respeito da coisa-em-si, podemos formular diferentes maneiras de encarar o mundo, de tentar compreendê-lo e de tentar por sua vez explica-lo. Quando assumimos a posição de que a coisa-em-si é inacessível, externa, hermeticamente fechada em si, lhe damos uma dimensão infinita e também incompreensível, podemos desta maneira nos satisfazer com a admiração ingênua a respeito da coisa-em-si. A coisa é do jeito que é e ponto final. Uma arbitrariedade se estabelece e isso não é tratado como um problema, pois fica para a imaginação a possibilidade de diferentes concepções sobre a coisa uma vez que a coisa-em-si é impenetrável. Mas se houvesse uma outra possibilidade. Se a coisa-em-si puder ser alcançada?

Os trinta e um anos que separam a Critica da Razão Pura kantiana e a Ciência da Lógica hegeliana parecem ser suficientes para realizar uma brusca alteração na concepção das condições de possibilidade de encontrarmos a coisa-em-si como ela é.

Neste artigo, procuro mostrar, com brevidade, como se dá a visão kantiana sobre a coisa-em-si, e como Hegel apresenta o acesso direto a coisa-em-si. Para a realização de tal empresa irei discorrer sobre o fenômeno kantiano encontrado na Estética Transcendental e suas implicações na Lógica Transcendental da Critica da Razão Pura e também do ser-para-outro apresentada na passagem do ser-aí para algo na Ciência da Lógica de Hegel.

Finalizando o artigo procuro a existência de relação entre o fenômeno e o ser-para-outro e quais as implicações de um e outro para uma filosofia que busque estabelecer-se de forma teórica que esteja conectada a realidade de maneira forte.

 


 

FENOMENO KANTIANO

Para que seja possível vislumbrarmos o fenômeno kantiano, é necessário que compreendamos que o autor nos oferece em sua estética transcendental no texto Critica da Razão Pura dois conceitos fundamentais, não empíricos e que estão relacionados as nossas condições de possibilidade de percebermos algo[1]. Tais intuições puras são o espaço[2] e o tempo[3]. Concomitantemente o entendimento que se apresenta na lógica transcendental como sendo o pensar compõe a decodificação do que a sensibilidade nos apresenta.

Então, para Kant, apenas podemos perceber o que está submetido a uma relação subjetiva de tempo e espaço, como se os objetos apenas pudessem ser percebidos se estivessem sob um palco iluminado, fora isso não seria possível que os percebêssemos, mas ao encerrar o ato teatral? Quando as cortinas se fecham? Quando a luz se apaga? Quando não se está no teatro? Neste ponto já podemos depreender alguns problemas decorrentes desta relação com os objetos: se existir algo fora do tempo e do espaço não nos é possível perceber, e ainda mais, apenas podemos perceber o que se nos apresenta. Com o estabelecimento do fenômeno, Kant abre mão de conhecer as coisas em si, pois estabelece um limite, antes do necessário, muito cedo: o limite da percepção sensível como sendo determinante para o acesso aos objetos[4].

Finalizando a parte da estética transcendental, ainda cito algumas passagens do texto nas observações gerais sobre a estética transcendental onde Kant deixa explicita a concepção do fenômeno:

“Pretendemos então dizer que toda a nossa intuição nada mais é do que a representação do fenômeno. Dizer também que as coisas que intuímos não são em si mesmas como as que intuímos, nem as suas relações são em si mesmas constituídas como nos parecem. E mais: que se fizermos abstração do nosso sujeito ou mesmo apenas da constituição subjetiva dos sentidos em geral, toda a maneira de ser, todas as relações dos objetos no espaço e no tempo e ainda o espaço e o tempo desapareceriam. Já que, como fenômenos, não podem existir em si, mas unicamente em nós. Completamente desconhecida é para nós a natureza dos objetos em si mesmos e independentemente de toda esta receptividade da nossa sensibilidade. Conhecemos somente o nosso modo de os perceber, modo que nos é peculiar, mas pode muito bem não ser necessariamente a de todos os seres, conquanto seja o de todos os homens.”[5]

Na lógica transcendental Kant apresenta a unidade entre a “receptividade das impressões[6]” e a “espontaneidade dos conceitos”. O entendimento é responsável pela construção espontânea dos conceitos[7].

Mas o entendimento apenas poderá tratar o que for percebido pela intuição sensível, desta forma limitando a capacidade de pensar o que estiver fora das dimensões tempo-espaço concebidas por Kant. Tal apresentação é pode demais atraente e convincente para nossos entendimentos. Contudo como colocado anteriormente abre-se mão de muitas possibilidades, a saber: determinação da infinitude como representação de tempo e espaço e suas implicações.

Mas parar nas possibilidades do entendimento é suficiente para nossas pretensões de conhecimento? Temos em Hegel uma outra possibilidade de aproximação da coisa-em-si.

 

SER-PARA-OUTRO HEGELIANO

Diferentemente de Kant, Hegel não parte das condições de possibilidades para conhecer, e sim do que temos para conhecer. O ponto de partida de Hegel se da no Ser. O atrito do ser, com o não-ser, o nada, mediado pelo devir nos leva ao ser-aí. Aqui Hegel busca as determinações enquanto qualidades para poder chegar a construção do conhecimento que é vista como a estruturação do pensamento para acessar o mundo ou a realidade. Neste processo nos encontramos com a coisa-em-si, mas de uma forma distinta da que temos em Kant.

O ser-aí se divide em ser-aí como tal[8], algo e outro[9], a finitude e a infinitude afirmativa. Para que possamos perceber a concepção de Hegel para a possibilidade de acesso a coisa-em-si apenas é necessário que cheguemos até algo e outro, pois neste processo torna-se clara a possibilidade de acesso a coisa-em-si.

Hegel procura chegar a algo a partir da determinação do ser-aí. Inicialmente o ser-aí é apenas um “ser em um certo lugar”, determinado pelo não-ser que está acolhido na unidade simples do ser-aí. (CL. 2Aa§3). Mas isso ainda é uma determinação externa. Hegel deseja encontrar uma determinação interna, que se desenvolverá a partir da qualidade que é a unidade imediata da determinação e do ser, a determinidade sendo. (CL. 2Ab§§1-2). A qualidade na esfera do ser-aí é a realidade quando determinada pelo nada e assim torna-se um limite ou barreira. (CL. 2Ab§3)

O autor salienta a importância da sentença espinozana que reza que toda a determinação é negação, pois a partir deste ponto demonstra-se a negação como caráter imprescindível do processo hegeliano. A qualidade desdobrada em realidade e defeito retorna como ser-aí, agora determinado e mediado pelo suprassumir da diferença, tornando-se algo, ser-dentro-de-si, ser-ai em um sendo-aí.

“Algo[10] é a primeira negação da negação” (CL. 2Ac§3) é o principio de uma determinação que servirá de base para nossa intenção de capturar a coisa-em-si. Importante é distinguir que aqui não é o final do processo, mas apenas o início, o começo da subjetivação. Como algo também está submetido ao ser, não-ser e devir, temos: algo no ser, outro no não-ser de algo e algo e outro no devir. Algo e outro são indistintos neste momento. O outro apenas poderá ser diferenciado quando tomado como natureza física, que é outro contra o espirito, pois ao passo que o espirito é o verdadeiro e a natureza meramente é contra o espírito temos a qualidade do outro posta como sendo-fora-de-si. (CL. 2Ba§5)

No algo temos o momento de algo e de outro (ser-para-outro), e conseguimos realizar a qualificação de outro, temos que no algo se conserva o seu não-ser-aí e também o seu ser-em-si, pois conserva o seu ser junto ao seu não-ser. (CL. 2Ba§§6-9)

A relação que existe entre ser-em-si e ser-para-outro sem mantém em algo, e esta relação é reflexiva e bidirecional, onde temos no não-ser de ser-em-si o apontamento para o ser-para-outro e no não-ser do ser-para-outro o apontamento para o ser-em-si. Esta unidade é indissolúvel, e novamente “uma qualidade, a determinação.” (CL. 2Ba§§10-18)

Chegando neste ponto temos claramente a possibilidade de acesso a coisa em si através do acesso ao ser-para-outro que é um momento do algo. Em assim sendo nosso trabalho em Hegel está encerrado, e se mostra necessário que apontemos onde reside a diferença entre a teoria kantiana e a hegeliana.

 


 

CONSIDERAÇÕES

Para que possamos perceber a distinção, e se tratarmos sob um viés hegeliano, as relações entre as teorias kantiana e hegeliana no que se refere a possibilidade de acessar a coisa-em-si, é fundamental que percebamos que o ponto de partida e a motivação de ambos é diferente.

Enquanto Kant está em uma disputa entre o empirismo e o racionalismo e procura realizar a acomodação de ambas as linhas teóricas em uma única através da delimitação das possibilidades de conhecimentos racionais e empíricos, Hegel já tem esta disputa superada e também pode se valer da teoria kantiana desenvolvida e também trabalhada por Scheling. Desta forma Hegel parte dos pressupostos kantianos e trabalha para radicalizá-los[11].

Hegel percebe que partir para as questões do conhecimento começando pelas definições do tempo e do espaço acabam em uma empresa desastrosa por não suportar a radicalização de propostas como Deus, ou mesmo das coisas-em-si ou por simplesmente ter de atribuí-las (tempo e espaço) arbitrariamente. Assim ele utiliza outra estratégia, que seja, a de construir determinações a partir de indeterminados, construindo uma teia conceitual que o levará do nada até o absoluto. Para realizar tal intento ele usará um esquema triádico que é composto por ser, não-ser e devir e perpassará toda a sua lógica.

Hegel supera Kant no momento em que consegue teorizar a coisa-em-si e fundamentá-la, tornando a coisa-em-si acessível através da estrutura do algo, especificamente o ser-para-outro que se relaciona de forma reflexiva e bidirecional com o ser-em-si. Nesta comparação posso perceber que ao tornar acessível a coisa-em-si Hegel possibilita o acesso a realidade não através de um fenômeno, mas diretamente. Contudo percebo que a complexidade do assunto e a forma como Hegel a coloca não ajudam a disseminação de sua teoria. Talvez fosse fundamental uma exposição que reunisse a complexidade, a abstração e construísse estas estruturas de forma que fosse acessível a uma quantidade maior de pessoas, pois percebo que o exercício da leitura de Hegel fortalece por demais a capacidade intelectual, mas apesar desta verificação muitos ainda se mantém distantes do autor devido a necessidade da construção da grande teia conceitual que ele propõe.

Por isso penso que entender Hegel é ficar preso a determinidade reflexivas externas que não conduzem ao melhor aproveitamento do pensamento hegeliano. Ao passo que não compreender Hegel nos leva a negação da determinidade reflexiva e assim nos coloca em um ponto onde podemos vislumbrar o processo e, desta maneira, conduzir a determinação posta, por conseguinte aprimorando o processo de nossa capacidade de raciocinar e não de ficarmos lastreados ao entendimento. Contudo ainda necessitamos de uma afirmação, uma abordagem positiva do processo que consiga dissolver a contradição do entendimento e da razão. Mas este final não se dá neste momento, ainda precisamos desenvolver mais nossa capacidade intelectual até que cheguemos neste ponto. Desta maneira, continuar os estudos da Ciência da Lógica é fundamental, pois assim poderemos chegar a radicalização do processo desenvolvido por Hegel.

 

Muito obrigado!

 

 


 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BARBIERI, Greice Ane. O conceito de infinito hegeliano na Ciência da Lógica. Disponível em: http://www.hegelbrasil.org/Reh_16_04.pdf. Acessado em: 06 de jul de 2013.

 

HEGEL, G.W.F. Fenomenologia do Espírito. Tradução de Paulo Meneses. Petrópolis, Editora Vozes, 2003. 551 p.

 

_____________ Ciência da Lógica. Tradução de Christian Iber. Revisão: Karl Heinz Efke, Agemir Bavaresco e Tomás Farcic Menk. Porto Alegre, 2013.

 

_____________ Ciência da Lógica: (excertos). Seleção e tradução de Marco Aurélio Werle. São Paulo, Barcarolla, 2011. 285 p.

 

_____________ Science of Logic. Blackmask Online. 2001. Disponível em: http://www.hegel.net/en/pdf/Hegel-Scilogic.pdf. Acessado em: 10/9/2013.

 

INWOOD, Michael. Dicionário Hegel. Rio de Janeiro. Jorge Zahar Ed., 1997. 362 p.

 

KANT, Immanuel. Critica da Razão Pura. Tradução Alex Marins. São Paulo, Martin Claret, 2005. 605 p.

LUFT, Eduardo. Para uma crítica interna ao sistema de Hegel. Porto Alegre, EDPUCRS, 1995.

NICOLAU, Marcos Fabio Alexandre. A Ciência da Lógica no Sistema Hegeliano. Disponível em: http://www.marilia.unesp.br/Home/RevistasEletronicas/Kinesis/11_MarcosFabioAlexandreNicolau.pdf. Acessado em: 6 de jun. de 2013.

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL. Biblioteca Central Ir. José Otão. Modelo para apresentação de artigos de periódicos elaborado pela Biblioteca Central Irmão José Otão. 2011. Disponível em: <www.pucrs.br/biblioteca/artigos>. Acesso em: 06 jul. 2013.



* Mestrando no curso de Filosofia da PUCRS/CNPq. Contato: artur.lopes@arturlopes.pro.br

[1] “A capacidade de receber representações – receptividade -  graças a maneira como somos afetados pelos objetos, denomina-se sensibilidade. Portanto, nos são dados objetos por intermédio da sensibilidade e só ela nos fornece intuições.” “Um objeto produz um efeito sobre a capacidade representativa, na medida em que por ele somos afetados, que é a sensação. A intuição que se relaciona com o objeto, por meio de sensação, chama-se empírica. O objeto indeterminado de uma intuição empírica denomina-se fenômeno.”(KANT, p. 65)

[2] Espaço como conceito não empírico tem sua apresentação metafisica como não “abstraído de experiências externas”, “representação a priori necessária que fundamenta todas as intuições externas”, “intuição pura”, “grandeza infinita dada” e “a priori”. (Ibid., p. 68ss)

E também como conceito transcendental como condição de possibilidade de percepção dos objetos no espaço.

[3] Tempo como conceito não empírico tem sua apresentação metafisica como não “tirado de uma experiência qualquer”, “representação fundamental que constitui a base de todas as intuições”, “possibilidade de princípios apodíticos das relações do tempo ou de axiomas do tempo em geral”, “noção [forma] pura da intuição sensível”, infinito. (Ibid., p. 73ss)

[4] “Como nossa intuição é sempre sensível, na experiência jamais nos pode ser dado um objeto que não se encontre submetido à condição do tempo. Ao contrário, rejeitamos qualquer pretensão do tempo a uma realidade absoluta, como se esse tempo, não atendendo à forma da nossa intuição sensível, pertencesse pura e simplesmente às coisas, como sua condição ou propriedade. Essas propriedades, que pertencem às coisas em si, nunca nos podem ser dadas através dos sentidos.” (Ibid. , p. 78ss)

[5] Ibid., p. 80

[6] Intuições (Ibid., p. 89)

[7] “... o entendimento é a capacidade de pensar o objeto da intuição sensível. Nenhuma destas qualidades tem primazia sobre outra. Destituído de sensibilidade, nenhum objeto nos seria dado. Isento de entendimento, nenhum objeto seria pensado. Pensamentos sem conteúdo são vazios, Intuições sem conceitos são cegas.” (Ibid., p. 90)

[8] “Ser-uno simples do ser e nada”; “forma de um imediato”; (ser e nada (nada como não-ser) mediados pelo devir); o devir se suprassume no ser-aí onde ser e nada se acomodam, ser como determinação unilateral e nada distinto contra o ser(CL.2Aa§1);

[9] Diferença entre determinidade unilateral do ser – da nossa reflexão – com respeito à natureza do próprio conceito ou uma comparação exterior, cuidado para não ficar preso a reflexão exterior e interromper o processo, pois as reflexões tem a aparência de afirmações, razões e fundamentos; o ser no devir é apenas um “momento – um suprassumido, negativamente determinado ... ainda não posto nele mesmo”; a determinidade do ser posta, aparece na negação entre algo e outro; (CL. 2Aa§3)

[10] “Ser-aí, vida, pensa, etc. se determinam essencialmente para o sendo-aí, o vivo, o pensante (o Eu) etc. Essa determinação é de importância suprema, para não permanecer junto ao ser-aí, a vida, ao pensar, etc. também não permanecer junto a divindade (em vez de Deus) como universalidades. Algo vale à representação, corretamente, como um real.” (CL. 2Ac§3)

[11] 16 Pode ser observado que aqui resulta o sentido da coisa-em-si, que é uma abstração muito simples, mas que foi durante algum tempo uma determinação muito importante, como algo nobre, assim como a sentença que nós não sabemos o que são as coisas em si foi uma sabedoria muito aceita.

– As coisas se chamam em-si, desde que seja abstraído de todo ser-para-outro, isso significa, em geral, na medida em que elas sejam pensadas sem qualquer determinação, como nadas . Nesse sentido não se pode, com certeza, saber o que é a coisa-em-si. Pois a questão o que? exige que sejam aduzidas determinações; mas na medida em que as coisas, das quais elas seriam exigidas aduzir, ao mesmo tempo devem ser coisas-em-si, quer dizer, precisamente sem determinação, assim, na questão está posta, de modo irrefletido, a impossibilidade da resposta, ou se elabora somente uma resposta paradoxal.

– A coisa-em-si é o mesmo que aquele absoluto, do qual não se sabe nada mais do que nele tudo é uno. Sabe-se, portanto, muito provavelmente o que é nessas coisas-em-si; elas são como tais nada mais do que abstrações sem verdade, vazias. Mas o que é a coisa-em-si é, na verdade, o que é verdadeiramente em si, disso a Lógica é a apresentação, em que, porém, sob [o] em-si é compreendido algo melhor do que a abstração, a saber, o que algo é no seu conceito; mas este é concreto em si, como conceito em geral compreensível e conhecível em si como determinado e conexão com suas determinações.

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