Scheler e Freud: Atrito do conhecimento

Artur Júnior dos Santos Lopes

INTRODUÇÃO

“A civilização humana, expressão pela qual quero significar tudo aquilo em que a vida humana se elevou acima de sua condição animal e difere da vida dos animais - e desprezo ter que distinguir entre cultura e civilização -, apresenta, como sabemos, dois aspectos ao observador.” (Freud, pág. 10)

 

Neste trabalho pretendo apresentar de uma forma sucinta o atrito do conhecimento produzido por Max Scheler e Freud. Tenho consciência de que neste momento apenas poderei apresentar uma parca apreciação das idéias de cada um e talvez alguns pontos comuns entre estes dois expoentes da intelectualidade humana.

O problema que gostaria de abordar é: Como justificar um espírito sem força na teoria de Scheler? Como pode tal espírito apresentar qualquer valor a volição humana? Onde reside tal espírito e o que pode querer?

1.    APRESENTAÇÃO DOS PONTOS

Aqui pretendo uma rápida abordagem sobre a visão de cada um dos autores. Primeiro colocarei como Scheler percebe o Espírito e a sua refutação das doutrinas negativas. Em outro ponto apresentarei como Freud percebe a repressão do instinto e como podemos perceber a relação com o Espírito de Scheler.

Quero perceber a diferença de abordagem entre os autores e buscar os pontos convergentes destas duas doutrinas, seus pontos fortes e onde precisam ser melhor trabalhados.

1.1.       SCHELER

Em Scheler podemos perceber a procura pela apresentação de um espírito que é parte da essência humana e que por isso traz uma diferenciação radical do animal. Scheler apresenta um espírito que busca apresentar idéias para a volição humana. Idéias estas que em geral contrariam os instintos. Amainam o ser humano para que seja possível o contato social.

Scheler credita ao espírito a capacidade de transcender as necessidades humanas e apresentar valores diferentes dos valores animais. O espírito em Scheler não tem força, é apenas uma centelha que apresenta ao animal outras possibilidades de escolhas que não apenas as da pulsão vital. Valores como a solidariedade, a amizade, o respeito, nos parecem exemplos de tais valores espirituais.

Neste ponto precisamos concordar com Scheler. Contudo sua teoria apresenta problemas. Sendo tão frágil e tão volátil o espírito nos aparece uma questão: Onde reside este espírito? Se é tão imaterial onde ele existe?

1.2.       FREUD

Por sua vez Freud nos apresenta um posicionamento exato deste mecanismo humano e psicológico que freia o impulso animal. Na teoria freudiana percebe-se o Super Ego como parte da estrutura psíquica responsável por coibir a plena expressão do ID pelo Ego. Ficando assim frustrada uma das principais tarefas do Ego: a de ser o Executivo do ID. Aqui temos um posicionamento bastante claro do que e onde está o que refreia o animal humano. Freud nos apresenta um aprofundamento muito sério e minucioso das complexas estruturas inconscientes que fazem do ser humano ser o que é.

Mas esta apresentação, dizer onde está é suficiente? Parece que não. Existem muitas perguntas aqui que ficam sem resposta. Por exemplo: Como surge a divisão entre estas três porções da psique humana. ID, Ego e Superego? Por que surge tal divisão? Neste ponto Freud fica sem uma resposta.

2.    O DIÁLOGO SCHELER-FREUD

Percebo aqui a possibilidade de diálogo entre os dois intelectuais. Scheler tem dificuldades em radicar o espírito, mas é muito feliz ao mostrar onde se dá a ruptura entre a pulsão vital e a sua repressão. Por sua vez, Freud consegue localizar muito bem as estruturas pulsionais e de repressão existentes no ser humano. Mas não consegue satisfatoriamente colocar como exatamente estas estruturas se formam. Não consegue responder: como se fragmenta o ser humano

CONCLUSÃO

Pude depreender que a junção e a busca do posicionamento do espírito e a formação da ruptura entre a pulsão vital e a repressão instintual, antes de serem antagônicas se mostram complementares.

O assunto é controverso e polemico e poderia gerar uma aprofundamento muito maior, mas neste momento parece ser muito produtivo apresentá-lo e dedicar maior esforço na coleta de informações e materiais.


BIBLIOGRAFIA

FREUD, Sigmund. The Future of an Illusion, 1928 Londres: Hogarth Press e Instituto de Psicanálise. 98 págs. (Trad. de W.D. Robson-Scott.).

SCHELER, Max. A posição do Homem no Cosmos. Editora Forense Universitária, Rio de Janeiro, 2003, 123págs.
 
Porto Alegre, 01 de Dezembro de 2008.
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