Artigo: Ciência da Lógica hegeliana


COMO SÃO CONCEBIDOS SER E NÃO-SER NA CIÊNCIA DA LÓGICA DE HEGEL

HOW ARE DESIGNED BEING AND NOT BEING IN HEGEL´S SCIENCE OF LOGIC

Artur Júnior dos Santos Lopes*

 

RESUMO

Dentro da lógica formal e transcendental é possível perceber os conceitos de contradição, de ser e de não-Ser. Este artigo se dedica a pesquisar como Hegel apresenta seu conceito de contradição dentro da introdução da Ciência da Lógica.

Palavras-chave: Hegel, ciência, lógica, contradição.

ABSTRACT

Inside of formal and transcendental logic is possible realize the contradiction concepts, being and not being. This article is dedicated to research how Hegel presents your contraction concept inside the introduction of The Science of Logic.

Key words: Hegel, science, logic, contradiction.


 

INTRODUÇÃO

A Ciência da Lógica de Hegel está dividida em dois volumes. O primeiro volume é “A lógica objetiva”, que está subdivida em dois livros, a saber: “a doutrina do ser” e “a doutrina da essência”. O segundo volume é “A lógica subjetiva” que contem a “doutrina do conceito[1]”.

Neste artigo irei me ocupar da introdução da Ciência da Lógica que está no início da “lógica objetiva”, antes da “doutrina do ser”. Dedicar-me-ei especificamente, no primeiro momento a reconstrução histórica desta introdução, em especial sobre as conexões com a Fenomenologia do Espírito, critica a lógica formal e transcendental. Estabelecerei meu foco no conceito de contradição em Hegel expresso através da questão do Ser e não-Ser. Pois que Ser e não-Ser tem na lógica formal uma expressão clara: ou algo é, ou simplesmente não é. Ser e não-ser são contraditórios, não podendo coexistir simultaneamente, como já nos ensina Aristóteles.

Como Hegel apresenta o conceito de contradição? Como se resolve a questão de Ser e não-Ser?

 

RECONSTRUÇÃO HISTÓRICA

Na Ciência da Lógica, Hegel oferece um paradigma diverso do apresentado pela lógica clássica e transcendental. Hegel inicia o processo de quebra deste paradigma na Fenomenologia do Espírito, explicitamente no desdobramento da consciência-de-si, através de um complexo atrito dialético entre uma consciência-de-si e outra consciência-de-si[2], representadas em uma luta de vida e morte, entre Senhor e Escravo, ou seja: na coexistência da diversidade. A partir deste ponto, podemos perceber os caminhos que Hegel pretende seguir na definição do conceito de contradição. Uma consciência-de-si que é, e que percebe a existência de outra consciência-de-si, que apesar de ser, não é ela mesma, e em sendo, é necessária para que a outra consciência-de-si possa ser. Assim para que possam existir: necessitam uma da outra.

Também na introdução da Fenomenologia do Espírito[3] Hegel apresenta o botão de flor que em sua atualização (flor) deixa de ser um botão, mas esta negação em nenhum momento faz com que o botão da flor deixe de existir. Isso é possível através da suprassunção[4], que é a negação que atualiza, mas no ato de negar também conserva o negado. Neste mesmo sentido a Ciência da Lógica vai trabalhar. Depreendo que na Fenomenologia do Espírito está expressa uma dedução, uma construção com um objeto menos abstrato, de como este processo se dará na Ciência da Lógica, agora sob um novo olhar, o atrito dialético entre sujeito e objeto, entre o pensamento e a matéria do pensamento, entre o finito e o infinito.

Enquanto podemos perceber que na lógica das demais ciências objeto e método cientifico estão separados[5], na Ciência da Lógica hegeliana, o autor pretende demonstrar que objeto e método cientifico caminham juntos, ou seja são indissociáveis.

O autor apresenta três motivos encontrados na lógica formal para que método e objeto fiquem dissociados:

Primeiro: a lógica não é apenas forma, pois possui em si o conteúdo de seu estudo e o método que o realiza: “uma vez que o pensamento e as regras do pensamento devem ser seu objeto, ela já possui assim imediatamente seu conteúdo peculiar”. A lógica formal se abstrai do conteúdo[6];

Segundo: denuncia que o “conceito tradicional da lógica” está na diferenciação entre verdade (conteúdo do conhecimento) e certeza (forma do conhecimento). Tal separação faz com que se pressuponha que a “matéria do conhecimento está dada em si e para si[7]” e que o pensamento é vazio e precisa desta matéria para se preencher, sendo, apenas, assim possível ter uma representação da verdade;

E em terceiro: o pensamento, por sua vez, tendo de se adaptar as formas da matéria, fica isolado, não conseguindo relacionar-se com o objeto.

Hegel aponta que o paradigma trazido até aqui pela lógica formal é um equivoco no qual a fenomenologia incutiu. É necessário que se interrompa este fluxo com a adoção de um modelo em que coisas [Dinge] e pensamentos [Denken] dos objetos sejam convergentes e mais, sejam componentes de um mesmo conteúdo.

Após termos unificado objeto e método cientifico, Hegel ainda nos alerta que existe a armadilha da reflexividade, em que novamente podemos cair quando colocamos o pensamento como mera abstração, desta maneira não chegando a realidade do objeto. Este equivoco ocorre na teoria da ideia platônica.

Dentro da lógica transcendental, critica a determinação do entendimento no sentido em que percebe a fragilidade deste processo, pois ao invés de realizar o movimento positivo de conciliar a determinação do entendimento com o objeto, recua para o sensível, sem que seja trabalhado o conflito decorrente de tal atrito. Hegel compreende que o trabalho no conflito é “precisamente o elevar-se da razão sobre as limitações do entendimento e a solução das mesmas[8].” Para o autor o mesmo se dá no caso dos conceitos de finito e infinito, que se atritam, mas não conseguem, dentro de uma lógica formal ou transcendental, chegar ao próximo passo que seria a síntese dos contraditórios. A critica direta realizada a Kant parte da acusação que a lógica transcendental afastou toda a objetividade das coisas deixando-as como uma subjetividade pura[9] que não pode ser acessada.

Hegel aponta para a Fenomenologia do Espírito como sendo o texto que finaliza positivamente a tarefa da Razão Pura, uma vez que consegue dissolver “... perfeitamente a separação entre o objeto e a certeza de si mesmo[10] ...” assim também ficando liberta a oposição da consciência[11].

O autor reconhece em Anaxágoras a primeira expressão de um universo intelectualizado através de um pensamento que, ao mesmo tempo, determina e é determinado pelo mundo. Assim percebe que conteúdo e a própria verdade suprema são as próprias determinações do pensamento e as formas necessárias. Para que seja possível cumprir com esta finalidade é necessário abandonar a posição de que a verdade deva ser algo palpável, como percebida na idealização platônica[12]. Hegel percebe a objetividade das determinações do entendimento na medida em que é possível observar que “espírito e natureza possuem leis universais, segundo as quais se fazem sua vida e modificações[13]”.

Hegel percebe que para que se possa falar de uma lógica, que possa expressar o desenvolvimento destes dois mil anos do espírito, é necessária a capacidade de ser uma “ciência pura”, diferente das demais ciências que emprestam conteúdo exterior para si mesmas, abstraem-se do método e apenas são misturas da experiência e do pensamento.

Em contrapartida, uma ciência pura, deve perceber que a negação é a negação do determinado, e portanto não se consome enquanto negação, muito antes pelo contrário, ao negar supera, e superando conserva o que foi negado, sendo um além do que estava posto e da própria negação[14].

Hegel credita este movimento dialético como o motor propulsor do método, que mesmo tendo de ser aprimorado tem em si veracidade, pois objeto e conteúdo estão unificados. Aqui Hegel ainda precisa acrescentar o elemento especulativo, que fecha o método, tornando o negativo em positivo. Para que tal força de pensamento se desenvolva, o autor recomenda o desenvolvimento através da libertação “da representação sensível-concreta e do raciocinar, ela primeiramente tem de se exercitar no pensamento abstrato, tem de apreender os conceitos em sua determinidade e a partir deles aprender a conhecer[15]“.

O autor ainda compara a duas possíveis compreensões da Ciência da Lógica. Uma como quem se relaciona com a gramática sem conhecer a língua e que tem as regras como que vazias e sem valor, por outro lado, alguém que conhece variadas línguas e vem a estudar uma gramática, percebe todo o colorido e o sentido da gramatica através da língua, e desta forma é capaz de sentir o espírito e a cultura destas outras línguas. Outra forma de perceber a Lógica e como quem se relaciona com a teoria sem tê-la vivenciado praticamente, e outra com quem já a vivenciou praticamente. A diferença é que para um é um recitar de formulas que são compreendidas, mas não tem o valor que apenas a vivência é capaz de dar[16].

Segundo nosso autor, o processo realizado através da Ciência da Lógica desenvolve a autonomia e a independência do pensamento, pois familiariza o pensamento com o abstrato. Realiza-se este intento, afastando-se de todo o “substrato sensível”. A partir do desenvolvimento deste aparato racional, e do atrito com as mais variadas ciências, é possível perceber em cada uma o que é o verdadeiro absoluto.

 

CONSIDERAÇÕES

Após esta reconstrução, ficou explicita a relação entre a Fenomenologia do Espírito e a Ciência da Lógica no sentido em que a Fenomenologia do Espírito é a obra que realiza a construção da forma dialética que será esquadrinhada na Ciência da Lógica, mesmo a duras penas do espírito. Como falado anteriormente tal relação evidencia-se na Introdução da Fenomenologia do Espírito e também no capítulo IV. Contudo este caminho se segue até o final da obra[17].

A critica realizada à lógica formal e transcendental também fica explicita, sob o sentido de que a lógica formal (1) considera o seu conteúdo artificial a si mesma, (2) o conteúdo e a forma do conteúdo estão separados e (3) uma vez separados o pensamento não se relaciona com o objeto, apenas o representa.

A lógica transcendental, apesar de avançar para a séria compreensão do processo dialético, ainda assim não consegue dar o passo final neste processo que deveria ser, no entender hegeliano, a suprassunção, a lógica transcendental apenas deixa o objeto entregue a subjetividade.

Para Hegel há unidade entre o conteúdo e a forma deste conteúdo, ainda mais, o autor percebe que é o pensamento que dá forma ao mundo, assim sendo, não estamos falando de um objeto alheio ao sistema que é colocado para obtenção de um resultado, mas é um objeto interno que é esquadrinhado por um processo do próprio sistema.[18]

Por fim, fica a questão da contradição entre Ser e não-Ser, proposta na introdução deste texto. Como poderia Ser e não-Ser coexistirem ao mesmo tempo? É possível uma unidade entre estes opostos?

Tenho consciência que a escrita de um artigo não visa resolver esta questão definitivamente. Minha intenção neste ponto é de apenas lançar luz sobre esta questão, para que pesquisas mais aprofundadas possam ser realizadas a fim de satisfazer as questões apresentadas.

Ante ao que foi colocado, depreendi que a Ciência da Lógica é a arte da sobreposição do pensamento: um metapensamento. Pensar sobre pensamento[19]. Em Hegel a Verdade é o Absoluto. Compreendi que a noção de Ser e não-Ser, utilizada pelo autor, vem apresentada em uma tríade em que a negação do Ser (não-Ser) antes de esvaziar a discussão, apresenta-nos novos argumentos. Assim o que está negado não é o Ser-em-si, mas uma determinidade do Ser-em-si, uma vez que Ser e não-Ser residem no absoluto imediato. Logo podemos perceber que há (1) um Ser, (2) um não-Ser, e (3) o terceiro que é a suprassunção dos dois anteriores. Isso se dá, pois, Hegel funda outro conceito de contradição que não é cisão, mas suprassunção[20].

O processo realizado na lógica hegeliana apresenta-se como uma ampliação de uma rede conceitual da ciência, costurada através de uma gama de categorias, que em sendo finita e infinita está limita exclusivamente pela capacidade especulativa do filósofo, que é convidado a buscar infinitamente o aprimoramento radical, vertical, no sentido do “que é” e consequentemente do “que não-é” através da dialética hegeliana em direção à ideia absoluta.


 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BARBIERI, Greice Ane. O conceito de infinito hegeliano na Ciência da Lógica. Disponível em: http://www.hegelbrasil.org/Reh_16_04.pdf. Acessado em: 06 de jul de 2013.

 

HEGEL, G.W.F. Fenomenologia do Espírito. Tradução de Paulo Meneses. Petrópolis, Editora Vozes, 2003. 551 p.

 

_____________ Ciência da Lógica: (excertos). Seleção e tradução de Marco Aurélio Werle. São Paulo, Barcarolla, 2011. 285 p.

 

INWOOD, Michael. Dicionário Hegel. Rio de Janeiro. Jorge Zahar Ed., 1997. 362 p.

 

KANT, Immanuel. Critica da Razão Pura. Tradução Alex Marins. São Paulo, Martin Claret, 2005. 605 p.

LUFT, Eduardo. Para uma crítica interna ao sistema de Hegel. Porto Alegre, EDPUCRS, 1995.

NICOLAU, Marcos Fabio Alexandre. A Ciência da Lógica no Sistema Hegeliano. Disponível em: http://www.marilia.unesp.br/Home/RevistasEletronicas/Kinesis/11_MarcosFabioAlexandreNicolau.pdf. Acessado em: 6 de jun. de 2013.

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL. Biblioteca Central Ir. José Otão. Modelo para apresentação de artigos de periódicos elaborado pela Biblioteca Central Irmão José Otão. 2011. Disponível em: <www.pucrs.br/biblioteca/artigos>. Acesso em: 06 jul. 2013.



* Mestrando no curso de Filosofia da PUCRS/CNPq. Contato: artur.lopes@arturlopes.pro.br

[1] INWOOD, p. 61

[2] HEGEL - 2003, p. 142

[3] Ibid., p. 26

[4] Suprassumir como superar conservando o que era antes. Para o aprofundamento do conceito de suprassumir (aufheben) sugiro a leitura do verbete suprassunção na obra de Inwood páginas 302 e seguintes.

[5] Em sendo a lógica admitida como uma “ciência do pensamento em geral”, há separação entre forma e matéria; desta maneira “apenas pode indicar as condições formais do conhecimento verídico, mas que não pode conter a verdade real mesma e tampouco o caminho para a verdade real, porque justamente o essencial da verdade, o conteúdo, reside fora dela”. (HEGEL - , p. 22)

“A lógica tem de ser desse modo apreendida como o sistema da razão pura, como o treino do puro pensamento. Esse reino é a verdade, como ela é em si e para si mesma, sem invólucro.” (HEGEL, p. 29)

“Mas a exposição do que unicamente pode ser o método verídico da ciência filosófica recai no interior do tratado da própria lógica; pois o método é a consciência sobre a forma do interior movimento de si de seu conteúdo. Na Fenomenologia do Espírito apresentei um exemplo desse método em um objeto mais concreto, a consciência“. (HEGEL - 2011, p. 33)

[6] Ibid., p. 23

[7] Ibid

[8] Ibid., p. 25

[9] “O idealismo transcendental executado de modo consequente reconheceu a nulidade do espectro da coisa em si, ainda deixado como resquício pela filosofia crítica, essa sombra abstrata apartada de todo conteúdo, e teve como finalidade destruí-la completamente. Essa filosofia também fez o início que permitiu a razão expor suas determinações a partir dela mesma. Mas a postura subjetiva dessa tentativa não permitiu que chegasse a uma consumação. Além disso, essa postura e com ela também aquele início e desenvolvimento da ciência pura foram abandonados”. (Ibid., p. 26)

[10] Ibid., p. 28

[11] “A lógica tem de ser desse modo apreendida como o sistema da razão pura, como o reino do puro pensamento. Esse reino é a verdade, como ela é em si e para si mesma, sem invólucro. Por causa disso podemos exprimir que esse conteúdo é a exposição de Deus, tal como ele é em sua essência eterna antes da criação da natureza e de um espírito finito.” (Ibid., p. 29)

[12] “A ideia platônica não é nada mais do que o universal ou mais determinadamente o conceito do objeto; apenas em seu conceito algo tem efetividade; na medida em que é distinto de seu conceito, deixa de ser efetivo e é algo nulo, o lado da palpabilidade e do ser-para-si-mesmo sensível pertence a esse lado nulo.” (Ibid., p. 30)

[13] Ibid

[14] “A única coisa para alcançar a progressão científica – e em vista de cuja intelecção inteiramente simples é necessário se empenhar de modo essencial – é o conhecimento do enunciado lógico de que o negativo é igualmente positivo ou que o que se contradiz não se dissolve no que é nulo, no nada abstrato, mas essencialmente apenas na negação de seu conteúdo particular ou que uma tal negação não é toda negação, e sim a negação da questão determinada que se dissolve, com o que é negação determinada; que, portanto, no resultado está contido essencialmente aquilo do qual resulta - o que é propriamente uma tautologia, pois de outro modo seria um imediato, não um resultado. Na medida em que o que resulta, a negação, é a negação determinada, ela possui um conteúdo. Ela é um novo conceito, mas conceito mais elevado, mais rico do que o precedente; pois ela se tornou mais rica devido a essa negação ou oposição; ela, portanto, o contém, mas também mais do que ele, e é a unidade dele e do seu oposto. – Nesse caminho tem de se formar em geral o sistema dos conceitos - e se consumir em um percurso irresistível, puro, que não traz nada de fora para dentro.” (Ibid., p. 34)

[15] Ibid., p. 37

[16] “... a lógica tem de ser primeiramente aprendida como algo que certamente se compreende e se penetra, mas cuja amplitude, profundidade e significado ulterior, de início, não se consegue medir. Apenas a partir do conhecimento mais profundo das outras ciências eleva-se para o espírito subjetivo o lógico como um universal, não apenas abstrato, e sim como a riqueza do universal que abrange em si mesmo o particular; - assim como a mesma sentença moral na boca do jovem que a compreende inteiramente não possui o significado e a amplitude que possui no espírito de um homem experimentado pela vida, em quem se exprime toda a força do conteúdo [Gehalt] que nela se encontra”. (Ibid., p. 38)

[17] “Neste ponto a longa aprendizagem do espírito chega a outro nível. Estão superadas as “figurações imperfeitas” da Fenomenologia, e já foi realizado o transito da consciência individual para o espírito. A concepção fundamental desenvolvida na Fenomenologia era aquela de que a consciência deve superar o erro primordial da cisão de opostos (expressamente as duas cisões, de universalidade/singularidade e sujeito/objeto), visando encontrar o caminho rumo ao ser absoluto. No nível da Lógica o espírito superou sues descaminhos, encontro a verdade, resolvendo os erros expressos pelas “figurações imperfeitas””. (LUFT, p. 64)

[18] a Lógica não trada de uma razão subjetiva, da qual estaríamos investigando as propriedades. O pensamento e as regras do pensar (especulativo) são o logos, a razão que fundamenta o universo. São, portanto, de modo idêntico, a razão do ser; por isso, não há diferença entre o que a Metafisica designa por ser e pensar. Ora, visto que o pensamento, ou logos, contém a possibilidade de todas as determinações do ser, ou que não há nenhum conteúdo exterior a ele mesmo do qual poderíamos dispor, resta-nos apenas uma verdade: o logos abrange todo o universo, ele é a única determinação que engloba a totalidade dos seres, é o absoluto. Esta única determinação é expressa como pensar puro, ou, o que é o mesmo, como ser puro. (Ibid., p. 74)

[19] INWOOD apud Nicolau, p. 1

[20] “Percebemos na Ciência da Lógica um outro sentido do conceito de contradição (além da contradição implosiva) trazido por Hegel: tese e antítese apresentam uma contradição que deve sempre ser superada, mas não uma contradição implosiva, e sim uma contradição por insuficiência. As antíteses surgem a cada momento, e a função da lógica é justamente harmonizá-las nisto que Hegel chama de Conceito, alcançando a verdade, ou a unidade de opostos em harmonia (o que eu chamarei de contradição sintética, na medida em que permanece o automovimento, mas desenvolvendo-se de modo equilibrado, harmonizado); exemplo máximo disto é a ideia absoluta. Toda esta problemática das antíteses terá seu desenvolvimento principal na Doutrina da Essencia. Mas antes é preciso percorre os caminhos da Ciência da Lógica.” (LUFT, p. 66)

 

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