Bertrand Russell e o Idealismo

Artur Júnior dos Santos Lopes

 

INTRODUÇÃO

 “Seu ser consiste em ser percebido” (BERKELEY at alii RUSSEL – pág. 39)

Nos capítulos anteriores Bertrand Russel faz a introdução do tema que me parece a defesa da tese de que existe um mundo material e que podemos empiricamente conhecê-lo. Talvez mais adiante no texto este assunto fique mais claro.  No “Capítulo I”, mostra sobre o viés da “Aparência e da Realidade” que não nos é possível tomar as sensações advindas dos sentidos como sendo a realidade. E que tão pouco tudo o que vemos está em nossa mente ou na mente de algo universal ou absoluto. O “Capítulo II” pergunta sobre algo que está introduzido em uma questão: “Existirá a Matéria, ou existe apenas o que está contido na mente?” O “Capitulo III” perguntará: “Se existe esta matéria, então: qual é a sua natureza?” O “Capítulo IV” é o que nos foi incumbido para apresentar. Versa sobre o “IDEALISMO” Antes de passarmos ao objeto de nosso trabalho vamos trazer um pouco sobre o autor do texto:Bertrand Arthur William Russell, 3º Conde Russell (gravura ao lado) nasceu em Ravenscroft, 18 de Maio de 1872 e faleceu em Penrhyndeudraeth, 2 de Fevereiro de 1970. Entre seus feitos tentou popularizar a filosofia, lutou por temas humanitários e pela liberdade dos pensamentos (sendo reconhecido com o premio Nobel de Literatura em 1950 por este motivo). Foi influente na filosofia, na matemática e na lógica sendo um dos intelectuais mais ativos do século XX.   

IDEALISMO

George Berkeley (gravura ao lado) foi citado por Russel (página 38) por ter sido o primeiro defensor sério do idealismo. O Bispo Berkeley, como ficou mais conhecido, nasceu próximo a Kilkenny, Irlanda, aos doze dias do mês de março de 1685 faleceu em 1753. Ficou famoso por defender o Imaterialismo e o Idealismo. Que vai citado por Russell: “... tudo o que existe, ou pelo menos tudo o que podemos saber que existe, deve ser de algum sentido mental.” (RUSSELL – pág. 37). Russell coloca o idealismo em perspectiva, pois crê que a reflexão que leva até o posicionamento idealístico não seja de todo descartável. Inclusive, a questão ajuda a construir o contato com a realidade. Assim argumenta, porque entende que os objetos físicos que vemos são muito diferentes do que percebemos através de nossos sentidos. Para tornar mais clara a explicação utiliza-se do exemplo do catálogo na página trinta e sete. E nos ensina que: não devemos rejeitar uma opinião apenas por parecer estranha aos nossos pensamentos. Algumas vezes a verdade pode parecer-nos estranha, inclusive inalcançável, mas se alguém a diz ter alcançado, precisamos dar-lhe atenção, ao menos para compreender o que ele nos comunicará.Berkeley prova primeiramente que:

·        Os dados dos sentidos não podem ter uma existência independente de nós.

·        Os dados dos sentidos são as únicas coisas que nossa existência pode nos assegurar.

·        Ser conhecido é estar em uma mente 

Logo, para Berkeley, tudo o que é, ou pode ser conhecido está em uma mente, na minha o na mente de deus. Russel trás o conceito de “idéia” em Berkeley: “idéia é tudo aquilo que pode ser imediatamente conhecido, como, por exemplo, os dados dos sentidos são conhecidos.” (RUSSELL – pág. 39). Em suma quer dizer que uma cor ou uma voz que vemos ou ouvimos são, em realidade, uma idéia. Este conceito se estende para as coisas lembradas e imaginadas.Para Berkeley não existe nada de real em uma árvore, exceto o que podemos perceber dela através de nossos sentidos. Para a questão se a árvore deixa de existir quando paramos de percebê-la ele responde que não, pois deus a está observando continuamente o que faz com que a árvore exista na mente de deus, e por conseqüência exista futuramente da mesma forma na mente de qualquer ser que observe a árvore.Russel começa a desconstrução da tese de Berkeley esclarecendo o conceito de idéia: a idéia estar na mente não significa que a coisa em si está na mente. Russel esclarece isso com o exemplo de uma pessoa. Penso em uma pessoa. Esta pessoa está em minha mente, mas não posso imaginar que esta pessoa viva em minha mente. Ela vive no mundo, no espaço e no tempo. Logo, o que está em minha mente é uma idéia, uma representação do que realmente existe. E repreende a tese de Berkeley dizendo que o que pode existir na mente de alguém é a idéia sobre algo que está no tempo e no espaço e não a coisa em si. Russel esclarece que tal confusão é causada pelo “problema da natureza das idéias”.Antes de se dedicar ao Problema da Natureza das Idéias, elucida duas questões a respeito dos dados dos sentidos.

·        Os dados dos sentidos que constituem as percepções são subjetivos e dependem do observador e do objeto para existirem.

·        É necessário provar, em geral, que pelo fato de serem conhecidas, as coisas devem ser mentais.

Foca na última questão para perguntar: “O ato mental é indubitavelmente mental, mas existe alguma razão para supor que a coisa apreendida é em algum sentido mental?” (RUSSELL - pág. 41).O fato de percebermos uma cor não prova que a cor está na nossa mente, prova apenas que existe uma relação entre a luz, os nossos órgãos de percepção e a cor. Russel deduz que a confusão feita por Berkeley está em imaginar que o ato de apreensão e a coisa apreendida são a mesma coisa e podem ser denominadas de Idéias. A afirmativa anterior é falaciosa. A diferenciação entre o ato de apreensão e a coisa apreendida é fundamental, pois assim podemos perceber que:

·        O que está na mente é o ato,

·        A coisa apreendida não está na mente. 

Dizer que tudo o que existe está na mente é uma tautologia e reduz a capacidade humana de conhecer. Para Russel o processo se dá porque a mente percebe algo que é diferente. Algo que justamente não está na mente, e por isso procura apreendê-la. Assim Russel refuta as razões do idealismo propostas por Berkeley.Após isso, diz que não podemos tratar como inexistentes coisas que não percebemos através de nossos sentidos. Tais coisas podem ou não existir. Assim escreve: “Nunca podemos enunciar um juízo verdadeiro sobre a existência de algo se não o conhecemos diretamente” (RUSSEL- pág. 44). Mas esta verdade não é reflexiva. A seguir encaminha-nos para o próximo problema: “Conhecimento direto e conhecimento por meio de descrição”. 

BIBLIOGRAFIA

 RUSSELL, Bertrand. Os Problemas da Filosofia.Bertrand Russell, em http://pt.wikipedia.org/wiki/Bertrand_Russell acessado em 12/04/2008.George Berkeley, em http://www.iep.utm.edu/b/berkeley.htm acessado em 12/04/2008.George Berkeley, em http://plato.stanford.edu/entries/berkeley/ acessado em 12/04/2008. 

Porto Alegre, 13 de Maio de 2008. 

 
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