Ética a Nicômaco

Artur Júnior dos Santos Lopes 

 

O Conceito de Felicidade

Para explicar o conceito de felicidade, Aristóteles, utiliza-se da busca do bem.Em procurando o bem encontra questões como “O bem particular” que é o bem produzido por uma atividade específica, ou melhor dizendo, é o produto ou a finalidade de uma atividade específica.O autor parte em busca do bem mais universal. Nesta busca define a escala de maior valia para o bem:1.      Aquilo que nunca é desejável por causa de outra coisa; (mais final)2.      Aquilo que é desejável por causa de outra coisa; (final)3.      Aquilo que é desejável por si e por outra coisa; (pouco final)
Assim sendo, em seu silogismo, coloca que a felicidade, por ser atingível apenas por si, ou melhor, por ser o fim que gera o desejo por todas as outras atividades é o bem máximo que está ao alcance do ser humano. Trata a eudaimonia como o bem supremo.

A virtude é um hábito

Para Aristóteles, pelo texto que pudemos ler, as características morais do ser humano são construídas através da prática. Logo não são inatas no entender do autor.A prática constrói boas e más excelências morais. O foro intimo e volitivo é que será responsável pelas escolhas.Ainda no texto, Aristóteles, faz menção a sua teoria de Ato/Potência para explicar o desenvolvimento das características morais. Outro ponto importante é que os atos morais se dão em relação a alguém/alguém ou alguém/algo, na concepção Aristotélica.
Assim sendo, Aristóteles, atribui aos legisladores estabelecer as regras a serem seguidas tendo em vista a boa formação moral do cidadão.

O Meio-Termo ou a “Justa Medida”

Compreender o Meio-Termo Aristotélico já é difícil. Que dizer de pô-lo em prática.O autor nos apresenta, já na partida, um complicador: Os problemas são o excesso ou a falta. Em alguns casos o afastamento do meio-termo se dá pela falta em outros pelo excesso. Ainda é variável de acordo com a substância; quer por diferença/semelhança quer pelas inclinações subjetivas.O próprio Aristóteles percebe a complexidade da propositura. Então apresenta máximas para montar a busca do meio-termo:1.      Evitar o extremo mais contrário;2.      Escolher o extremo que leve ao menor dos males;3.      Procurar afastamento máximo do prazer; (aqui preciso fazer um adendo. Parece-me um pouco fora de contexto esta regra. Está com um ar extremamente escolástico, claro que sob meu ponto de vista. Talvez a exegese desta máxima precisasse ser executada, apesar disso não ser o foco deste texto.)
Aristóteles coloca o meio-termo de forma relativizada e muito mais voltada, me parece para a intencionalidade.

Virtudes Intelectuais e Sabedoria Prática

Para Aristóteles discernimento não é arte. É, sim, a característica que algumas pessoas tem, a exemplo de Péricles, de deliberar corretamente acerca do que é bom para si mesmo e para os demais, não em relação a um aspecto particular, mas, em função de algo mais universal.O discernimento não é arte por não tratar de um conhecimento específico. Também não é um conhecimento científico por tratar de substâncias variáveis. Explicitamente o agir. Para Aristóteles o discernimento está situado entre a racionalidade e a doxa e conceitua da seguinte maneira: “O discernimento deve ser então uma qualidade racional que leva à verdade no tocante às ações relacionadas com os bens humanos.”O discernimento, para Aristóteles, é uma forma de excelência.   
 
Porto Alegre, 01 de abril de 2008 
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