Uma abordagem filosofica da BioÉtica

Artur Júnior dos Santos Lopes

1       INTRODUÇÃO

 

“Há quem fale

Que a vida da gente

É um nada no mundo

É uma gota, é um tempo

Que nem dá um segundo...” (NASCIMENTO)

 

Após várias tentativas de escrever este artigo, fico com o questionamento mais sincero: O que é a vida? Perguntar tão amplamente sobre o que é a vida é suficiente? A vida: um amontoado de células. A vida: um big bang. A vida: uma síntese psicossomática do ID, Ego e Superego. Creio que estas respostas foram suficientes para diferentes perguntas sobre diferentes abordagens em diferentes momentos.

Mas nenhuma das respostas anteriores satisfez minha pergunta. Por quê?

Talvez a resposta deste porque seja a busca pela resposta sob o viés filosófico. O que é a vida, após uma revisão analítica e uma resposta antropológica? Não sei! Este trabalho se propõem justamente a esta busca inocente pelo o que a vida é sobre uma abordagem filosófica, através do acesso analítico e talvez com uma resolução antropológica. Pelo menos eu gostaria que fosse.

Desta forma procurei organizar esta proposta de projeto assim, primeiro esvaziando o conceito de vida e dando uma dimensão filosófica ao conceito. Em um segundo momento procurando uma forma antropológica de acessar este conceito. Para finalizar, passamos pelo batido ponto: Ética.

 


2       DESENVOLVIMENTO

 

“Viver!

E não ter a vergonha

De ser feliz

Cantar e cantar e cantar

A beleza de ser

Um eterno aprendiz...” (NASCIMENTO)

 

2.1      VIDA COMO OBJETO DA OBSERVAÇÃO FILOSÓFICA

 

Falar o que seja a vida. Pode-se procurar o conceito de vida em diversos lugares. As respostas serão as mais variadas dependendo de onde vamos procurar tais respostas. Não me parece que uma tenha mais valia que a outra. Neste ponto precisaremos apenas definir o foco. Aqui não desejamos falar da vida sobre o ponto de vista da medicina, nem sobre o ponto de vista da biologia, nem sobre o ponto de vista religioso. Mas então: Qual o ponto de vista que nos interessa? Parece que o ponto de vista mais relevante para falarmos da vida relacionada a ética seja o ponto de vista filosófico. Dentro desta visão uma abordagem ontológica parece interessante, mas talvez nenhuma seja mais construtiva do que a abordagem antropológica.

Desta forma, sob meu ponto de vista, a resposta a pergunta de NASCIMENTO: O que é? O que é? Me parece a atividade do filosofo dedicado a antropologia filosófica. Definir o conceito do que é a vida, parece a primeira tarefa de quem deseja falar sobre as relações entre a ética e a vida.

 

2.2      ABORDAGEM ANALITICA DA VIDA

 

Reconheço a necessidade de aprofundar mais esta abordagem e principalmente de realizar uma aproximação mais séria de autores, mas nesta primeira tentativa especulativa serve a tentativa de definir a vida como condição de possibilidade para que qualquer relação com qualquer coisa se dê. Mas o que isso significa?

Significa dizer que a vida é algo que ocorre por acaso. A partir de uma cosmo visão que não considera uma organização teleológica, mas que percebe que para que o ser humano tenha a percepção que tem da vida, a vida é fundamental. Desta maneira, posso dizer que é condição necessária para a percepção do conceito de vida a vida humana. E que apenas o ser humano tem a visão de vida que o ser humano tem. Ainda assim o ser humano não tem a percepção da totalidade do que seja a vida, abrindo, desta maneira espaço para o que o ser humano pode ou não conhecer da vida.

Então, mais claramente: a vida é realmente esta complicação sobre o aspecto humano: A vida é a condição necessária para sua própria percepção; e, o ser humano consegue perceber apenas uma parte do que é a vida, mas não a sua totalidade.

 

2.3      ABORDAGEM ANTROPOLÓGICA DA VIDA

 

O ser humano apenas pode perceber a vida sobre o seu viés. Por mais que se esforce apenas pode saber o que é a vida sobre sua visão. Pode especular, pode criar apresentações, pode imaginar, mas não pode ser assertivo a respeito do que seja algo que é muito maior que ele mesmo.

Assim recaímos sobre a resposta filosófica de que a vida é a condição necessária, e muito antes de ser objeto da pesquisa filosófica e antropológica é a própria condição necessária para que a percepção seja possível.

Assim como o ser humano não se percebe a si mesmo completamente, a vida ainda é muito menos possível de se perceber. Por isso a visão antropológica é tão necessária, para reconhecer o quão pequeno e grande é o ser humano dentro destas abordagens, pois apesar de se desprender do mecanicismo biológico ainda não é capaz de perceber a totalidade do que há. Irônico.

2.4      QUAL VIDA VALE A PENA DE SER VIVIDA?

 

E que vida vale a pena ser vivida? Parece uma questão subjetiva. Que tipo de dor pode ser suportável? Que luta você travaria com sua própria vida? O quando uma vida deve pesar para a sociedade? O quanto uma morte deve ser leve para a sociedade? Talvez Atenas tenha respondido esta questão. Talvez Hitler tenha respondido a esta questão. Talvez a forma não seja a mais correta. Depende do ponto de vista. Depende do contexto. Mas sob a abordagem filosófica que proponho, a vida deve ser vista como condição de possibilidade. E quanto um cadáver com morte cerebral verificada tem condição de possibilidade para a vida? E quanto um feto acéfalo tem condição de possibilidade para a vida? Para filosofia o milagre não é algo que tenha existência possível. Assim a condição de possibilidade em alguns casos é clara. Não condição de vida é morte.

Mas quando falamos das volições humanas? Não quero ter este filho. Não quero suportar mais o sofrimento de um ente querido. Isso é bem mais difícil de dizer, pois as condições de possibilidade não estão em nossas mãos. Estão nas mãos da própria vida, e da coragem de que tem o poder de decidi-la.

 

2.5      ÉTICA

 

Se tomarmos a Ética, mesmo que de forma superficial, como sendo a ciência filosófica que analisa o comportamento humano, temos historicamente que o ser humano destrói o que não conhece completamente ou o que não domina. Este é o exemplo das civilizações européias no encontro com as civilizações americanas.

Mas claro que esta aproximação é muito tendenciosa e não nos interessa. Gostaríamos de pensar a ética como um estudo das ações humanas que preservam o que não dominam. Assim torna-se uma implicação ética a proteção da vida. Sendo que a vida é algo que está fora do domínio do que é humano.


3       CONCLUSÃO

 

“Eu fico

Com a pureza

Da resposta das crianças

É a vida, é bonita

E é bonita...” (NASCIMENTO)

 

Como se não fosse suficiente a resposta do poeta, e talvez não seja sobre o viés filosófico, coloco que talvez o ser humano deva colocar-se como o grande cuidador da vida, vida esta que é condição de possibilidade para sua própria manifestação. E a partir daí o bom senso ditaria as regras, sem a necessidade de leis ou organismos protetores de “vida” ou de “nações desunidas”.

Muito obrigado!


REFERÊNCIA

 

KANT, Immanuel. Critica da Razão Pura. São Paulo, Martin Claret, 2005

 

NASCIMENTO Júnior, Luiz Gonzaga do. O que é? O que é? Acessado em 5/4/2010. Disponível em: http://letras.terra.com.br/gonzaguinha/463845/

 
Porto Alegre, 14 de Abril de 2010
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