Do Discurso Agregador

Pensando no discurso agregador

Artur Júnior dos Santos Lopes

Acredito que o discurso deva ser agregador. Acredito que precisemos reunir as pessoas em torno de ações. Percebo que a hegemonia do poder consegue realizar este discurso. Em torno do poder - posição politica, crenças pessoais, ideologias - esvaziam. A capacidade agregadora do poder é impressionante.

Mas será apenas o poder que pode se servir desta capacidade agregadora? O sujeito não terá capacidade agregadora? A sociedade civil não tem capacidade agregadora? O que está faltando para que a sociedade civil tome o poder e coloque o Estado e os políticos profissionais ao seu serviço, como originalmente deveria ser?

Parece-me a resposta se encontra na observação do indivíduo. O indivíduo que perdeu a capacidade de confiar na sua própria capacidade, que não confia em si como sujeito. Assim, não confiando em si mesmo não confia nos seus pares. Desta forma a sociedade civil organizada perde sua possibilidade de existir.

É preciso que o indivíduo perceba sua característica impar, que creia na sua subjetividade, que perceba que tal subjetividade precisa ser respeitada, e que outros indivíduos se assemelham por terem respeito a sua própria subjetividade também. Aqui inicia a possibilidade de termos uma sociedade civil organizada, que se utiliza do contrato para positivar as vontades individuais negociadas, pois percebe na positivação: a expressão de sua própria vontade. Desta maneira sendo o respeito ao contrato o respeito a si mesmo. A partir deste ponto está viabilizado o Estado. Não o Estado como uma entidade mística utilizada para a manutenção do poder ou para a opressão das massas, mas um órgão do exercício da vontade da sociedade civil organizada, logo um órgão do exercício da vontade humana.

Qual a importância do discurso agregador?

Importa que o discurso seja agregador, pois é ele que pode auxiliar na construção da capacidade do individuo desenvolver a confiança em si mesmo. Munido desta capacidade o individuo marcha para a sociedade civil como sujeito que exige respeito as suas características individuais. Neste processo, percebe que o Estado é um órgão que serve para possibilitar a expressão dos anseios da sociedade civil e assim dos próprios indivíduos.

Muito obrigado!

Porto Alegre, 17 de Setembro de 2012

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