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Biografia Artur Lopes

 Artur Júnior dos Santos Lopes

 

Nasci em 1975 em Porto Alegre.

 Meus avós paternos e minha avó materna eram agricultores, o que hoje chamamos de agricultura familiar. Meu avô materno era Azulejista. Minha mãe trabalhava no comércio, e meu pai era pedreiro. A familha do meu pai era composta de treze irmãos, a da minha mãe de quatro irmãos.

Em 1978 meus pais se separaram. O acontecimento foi muito traumático. Meu pai utilizava alcool com freqüência, e no dia da separação ele chegou em casa bebado. "Fica quieto senão vai sobrar pra ti também!" toda cena ainda é muito viva na minha mente. Meu pai foi para a cozinha e começou a estrangular a minha mãe. Eu estava pintando umas máscaras de plástico com aquarela, muito comuns naquela tempo. Percebi que tinha de fazer algo. Tive muito medo, até hoje ainda tremo. Fui lentamente até a porta que dava para a rua. Deschaviei. Saí e gritei por socorro. Os vizinhos me acudiram. Fomos para casa de meus avós paternos. Apartir daí tive muito pouco contato com o meu pai. Nossa reaprocimação começou a ocorrer apenas quando eu o procurei já com 15 anos.

Cursei o ensino básico (1º Grau) no Colégio São Luiz nesta mesma cidade, depois estudei no Colégio Júlio de Castilhos (2º Grau).

Por volta dos treze anos deixei a casa da minha mãe, pois não me conseguia me relacionar bem com o seu novo companheiro. Neste periodo fiquei morando um pouco com a minha vó e outro com a minha madrinha.

Logo após a separação da minha mãe voltei a morar com ela, e também meu irmão Patrick.


Opus

Comecei a trabalhar como estagiário em 1990. Primeiro conferia as GIAS  de arrecadação fiscal para a digitação no Departamento de Informações Economico Fiscais (DIEF) na Secretaria da Fazenda. Ajudava na manutenção da casa, fazia festas com meus próprios rendimentos. Não sobrava muito para a diversão, mas nos divertiamos com pouco, uma roda de viola até de manhã, fritas, refri, e tava tudo certo. No final da conferência das gias surgiu uma oportunidade para estagiar na área de informática. Apresentei um projeto que estava desenvolvendo em dbase II para o gerente da área, na época Agostini. Foi muito engraçado quando ele pediu para ver o sistema. Era um sistema de cadastro de funcionarios, com funções básicas: inclusão, consulta, exclusão. Eu tirei um monte de folhas de papel, muito bem organizadas, com o todo o código do sistema, tava escrito a mão. "Garanto que funciona, fiz todos os testes de mesa, testei todas as possibilidades...". Consegui a vaga. Foi muito bacana, lembro do Seu Schimidt, o Vilson, o Brunetto, a princesa Kismara, entre outros: turma muito legal.

Neste mesmo periodo cursava Extensão em violão erudito na UFRGS, e a segunda série do segundo grau.  Era muito divertido.

Depois da conclusão do segundo grau não pude mais renovar o meu estágio, e era muito difícil conseguir trabalho, mesmo porque, estava interessado em música. Lia muito, virei rato da Biblioteca Pública, meu interesse era variado, mas tinha um interesse muito grande pela cultura e filosofia oriental, o yoga, o budismo, o induísmo. Dediquei muito tempo a obras desta natureza, e as mesas e cadeiras da biblioteca pública (local muito bonito).

Um amigo, colega do segundo grau, Márcio, me conseguiu uma vaga para dar aulas de múscia na Prediger.

Fui apresentado ao Zé: era uma figura. Comecei a dar aulas de violão, depois teoria em turma. Por fim também lecionava trompete.

Em 1993 conheci a Ana. Fiquei tomado por uma profunda paixão. Não conseguia resisti-la de nenhuma forma. Cometi muitas loucuras para poder estar com ela. Fiz coisas que não faria em sã consciência.

Em 1994 inicie na FAB, Base Aérea de Canoas (BACO). Pretendia que Banda de Música fosse um conservatório, uma oportunidade para viver de música. Infelizmente as coisas não ocorreram desta forma. Me transferi para o 5º Esquadrão de Transporte Aéreo. O Ten. Leandro me recebeu para administrar a rede Novell 3.12 do esquadrão. Aprendi muito. Me diverti muito. Fiz grandes amizades que perpassam o tempo e o espaço.

Em 1995 me mudei para Cachoeirinha, eu e a Ana ficamos morando juntos.

Depois de sair da Base, no início de 1998,  fui trabalhar como Coordenador / Idealizador / Professor do Curso de Redes da Multisys computadores e serviços.

Deixei de viver na mesma casa que a Ana, mas continuamos a nos encontrar. Voltei a morar com a mãe. Comecei a trabalhar na Dimed no final 1998. Boas amizades.

No dia 30 de junho de 1999 às 6 horas nasceu o Christofer Lucas. Uma gravidez conturbada. Fisiolígica e psicologicamente. Nos mudamos para o Santo Antônio, na Rua Dr. Voltaire Pires. Muitas dificuldades de convivência.

Em 2000 iniciei o curso de Análise de Sistemas na UNISINOS em São Leopoldo, depois de algum tempo, percebi a dificuldade de arcar com os custos da formação universitária. Comecei a trabalhar na Stemac S/A Grupos Geradores. O relacionamento com a Ana ficava cada vez mais conturbado.

No dia 3 de fevereiro de 2001 às 18 horas nasceu o Gabriel.

Tranquei o curso em 2003.

No dia 10 de outubro de 2003 às 22 horas nasceu o Rafael.

Em janeiro de 2004 meu pai morre, a morte dele me causou um transtorno psicológico muito grande. Sofri um acidente automobilistico no final deste ano.


O Curso

Em 2004 comecei a ler Platão, em especial o Mito da Caverna, depois tive contato com as obras de Nietzsche. Tive medo antes de começar a ler. Sabia que não seria o mesmo após as primeiras páginas. Li Assim falou Zaratustra, depois Além do Bem e do Mal. Não conseguia mais parar. Li então Genealogia a Moral. Em 2005 comecei a estudar Filosofia no Institudo Metodista IPA.

O curso, começa. Muita espectativas. Tudo muito novo. Uma abordagem fascinante. Colegas muito bacanas. Estavamos confusos. Buscavamos o tal filosofar. Muita turbulência nesta procura. Muitos desencontros.

Tentava dar alguma identidade a turma, mesmo que provisória, mas a mesma não se reconhecia da forma que propunha. Preferia ficar sem identidade, percebi que esta era a sua identidade provisória. Me reservei a interagir apenas. Não me preocupei com a direção que a turma iria tomar. Não me preocupei mais com as escolhas e buscas. Comecei a fazer as minhas buscas e escolhas. Comecei a manifestar a minha identidade. Neste processo pude crescer. Me dei toda a liberdade de errar, de ser criticado, de não gostar, de compreender e agradecer. Me permiti estar em processo.

Porto Alegre, 16 de Setembro de 2005


A Mudança no Curso

Após três semestres mudei o curso para a PUC. Reconheço que o IPA me mostrou um universo que até então desconhecia e me preparou para alçar voos ainda maiores. Isso é o que estou fazendo, não sem antes ter esgotado toda a possibilidade de extrapolar os horizontes dentro do próprio IPA. Fica o agradecimento!

Valeu: amores, paixões, amigos, colegas, docentes, IPA!

Porto Alegre, 28 de Junho de 2006


E então ... o fim!

Doloroso momento em que se acaba algo. As expectativas, as possibilidades daquilo se encerra. As cortinas se fecham. Próximo ato! Uma nova abertura se inicia. Mas o ato passado não deixa de existir com tudo de bom ou de ruim. O ato passado é a lembrança de que estamos em uma realidade temporal, e as coisas mudam. E mudam. E mudam. Incessantemente mudam.

Para os Guris (meus filhos): O pai ama vocês, e vocês estão sempre presentes no meu pensamento e no meu coração. Espero que embreve voltemos a nos encontrar. Esta é a parte que mais dói. Sinto muito que vocês tenham que passar por tudo isso. Mas escolhi enfrentar as dificuldades, e a dor de não estar com vocês, a morrer traindo a mim.

É necessário que se diga também: Foram feitos todos os esforços de ambos para que não se acabasse tudo assim, mas não deu certo.

Um carinhoso beijo do pai que lhes ama!

Porto Alegre, 25 de Agosto de 2006.


Então o recomeço...

Dizem ser o começo a parte mais difícil. Neste momemento não posso discordar. Realmente, acertar a mão. Mudar as formas, isso é bem complicado. Mas o interessante é que faz parte de um processo que pressupõe o movimento. Estou em movimento. Decepcionando, me decepcionando, amando, vivendo. Mudando. Constantemente. Errando. Acertando. Aprendendo. Negociando. Tô bem!

Bjos! Fui!

Porto Alegre, 15 de Setembro de 2006.

 


Reencontros

Descobri o quão bom é sentir se amado e deixar-se amar. 

Esta descobertão não se deu gratuitamente. Me esforcei muito para me permitir este movimento. Encontreio no seio de minha mãe. Após 32 anos consegui esta conquista.

Estou muito feliz!

Porto Alegre, 6 de Novembro de 2007. 

 


E quem disse que é fácil?

Depois de algum tempo, retomei a filosofia. Em fevereiro fui demitido da Stemac. O motivo formal era o meu salário ser muito alto. Mas na verdade sabemos que infelizmente minhas idéias e meu comportamento não é o que podemos chamar de tradicional. Lembro-me a Apologia de Sócrates: O que vale viver se para isso tenho de renegar o que sou, quem sou, e como sou.

Assim sigo, honesto, comigo. Se bem que agora, após muitos processos de autocatarse, me coloco de uma forma muito mais responsável comigo mesmo.

O momento é ímpar: Novas perspectivas de trabalho. Pretinha. Uma nova forma de encarar a universidade. Nova relação com a minha mãe. O estreitamento das relações com o meu pai. Tudo isso torna a vida muito diferente.

Porto Alegre, 11 de Março de 2008. 


 Algum tempo depois ...
 
Então, já se passou algum tempo. Me tornei gerente na empresa que trabalho. Fiz avanços significativos na terapia. Meu relacionamento com os filhos, familha e Kátia melhorou muito. Agora estou procurando um apartamento para poder ter um pouco mais de privacidade. Os preços dos imóveis estão altissimos. Vamos com calma.
 
Porto Alegre, 6 de Abril de 2010. 
 


Fim desta etapa...

Estou me tornando Bacharel em Filosofia. Uma etapa que se encerra. Embora, agora eu inicie outra: fui selecionado para o Mestrado. Novos desafios. Muitas alegrias. Devo assinar o contrato do aluguel do meu apartamento amanhã. Isso tudo está uma loucura, mas está muito bom. Muito obrigado a todos que me ajudaram.

Agora eu quero é ganhar o mundo!!!

Porto Alegre, 12 de Dezembro de 2011. 

 
Ċ
Rafaela Crocco,
12 de dez de 2011 14:46
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