Educação e Educação Profissional. Expressões de um modelo liberal.

Artur Júnior dos Santos Lopes 

INTRODUÇÃO

Para os estudiosos, no que se refere ao ensino médio, antigo segundo grau, não há um consenso, exceto quando se fala em sua finalidade: Todos concordam que ninguém tem claramente uma idéia de para que serve o ensino médio. Uma sugestão de se pensar é se não deveríamos acabar com o segundo grau. E se não devêssemos acabar com o segundo grau como justificaríamos isso?
O que prepondera no ensino médio: A educação profissional? A educação?
Neste tópico do capítulo podemos perceber muitas questões:
O que é formar um cidadão? Creio que primeiro seja preciso definir o que seja um cidadão. Simplesmente o homem que vive na polis? O que é componente do cidadão?
A formação do cidadão e do profissional podem ser conjugadas?
Poderemos ter uma multiplicidade de escola, ou um único modelo dará conta de atender as necessidades educacionais? (Por que é necessário educar? Educar é bom prá quem?)
Aqui já podemos perceber a reflexão que Militão pretende e que no tópico 10.3 vai concluir: Formar para o mundo do trabalho (uma formação mais geral, baseada em princípios que vão prepara o futuro trabalhador para os desafios do mundo da produção, mas sem o identificar com uma profissão específica.)? Ou formar para o mercado de trabalho (uma formação mais geral e específica como quer a lei nº 5962/71, onde temos um profissional técnico, formado para atender as necessidades de trabalho)?
Talvez não conseguir responder esta questão não seja uma coisa da qual tenhamos que nos envergonhar: Os especialistas se debatem constantemente com estas perguntas.
Militão traz que as atividades produtivas atuais têm uma grande mobilidade, e percebe que os profissionais atuais não estão preparados para esta mobilidade. A fixidex com que são formados não facilita a adaptação destes profissionais ao mercado produtivo.
É preciso encontrar a identidade do ensino médio. É fundamental que se tenha a consciência de que ao falarmos do ensino médio estamos falando da vida de milhares de jovens que passam por esta etapa da educação, e que as vidas destes jovens são impactadas diretamente por esta identidade.
A discussão está posta, é multidisciplinar e é fundamental: Que tipo de sociedade, de ser humano e de escola a “sociedade brasileira” deseja formar. Eu perguntaria: Quem é a “sociedade brasileira”? Qual a parcela de voz ativa tem esta sociedade? Que tipo de reflexão sobre este assunto a “sociedade brasileira” está disposta a fazer?
Alerta que orientadores educacionais não recomendam que jovens entre 15 e 18 anos tenha uma escolha definitiva da profissão que pretendem seguir, pois não estão preparados ainda para tomar estas decisões e que o ensino médio deveria preparar os estudantes em bases muito gerais para que possam escolher as atividades de uma forma mais ajustada no futuro.
No final do texto Militão já começa a colocar o embasamento legal para o posicionamento que será visto no tópico 10.3.

 

CONCLUSÃO

Em minha modesta apreciação, percebo que mesmo depois do que escreve Militão e mesmo depois de suas sugestões, na sua visão, quem continua ditando o que estudar e como estudar são os meios de produção. Concordo que é muito difícil que se tenha uma educação desvinculada da produção. Mas o que vai ocorrer com as ciências que não tem um interesse produtivo (a cultura geral (pão e circo), a filosofia (sofistas), a teologia (teologia do sucesso), a pedagogia (pedagogia administrativa)? Serão marginalizadas? Não vamos acabar com elas diretamente, vamos acabar com elas de uma forma bastante liberal, vamos deixar que elas se adaptem ao mercado e que consigam a partir de si mesmas extrair seus sustentos.
Onde fica o espaço para o que é lúdico? O que no ser humano não precisa de uma utilidade prática? Só o que tem utilidade é que tem valor? A justiça é somente valida quando defende a propriedade privada? Mas, já não é tão importante assim, quando defende a vida humana do miserável que vive na rua?
Minha visão é que algumas das profissões que não tem uma utilidade maior serão extintas ou talvez fiquem sobre a face terrestre rastejando pela mão de teimosos que insistem em dar valor ao que é humano mesmo que estes valores humanos não sejam consonantes aos interesses produtivos.
Ainda assim deixo espaço para estar enganado e perceber que podemos ver na obrigatoriedade da Filosofia e da Sociologia na educação básica um sinal de que ainda pode ser possível equilibrar a relação Produção X Ser Humano, mas não podemos nos deixar enganar por falsos sinais de que a regulação liberar irá desenvolver a cultura. Mesmo que a custa de muito sacrifício.
Muito obrigado!

BIBLIOGRAFIA

SILVA, Jair Militão da. Educação escolar e trabalho no Brasil: o Ensino Médio. In: MENESES, João Gualberto ET AL. Educação Básica: políticas, legislação e gestão – Leituras. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004, p 175-185. [372.12 E24e]

Porto Alegre, 16 de Maio de 2008

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