Artigo: RECONSTRUÇÃO E INTERPRETAÇÃO DO CONCEITO DE REFLEXÃO EM HEGEL


RECONSTRUÇÃO E INTERPRETAÇÃO DO CONCEITO DE REFLEXÃO EM HEGEL

RECONSTRUCTION AND INTERPRETATION OF CONCEPT OF REFLECTION IN HEGEL

Artur Júnior dos Santos Lopes*

 

RESUMO

Qual o conceito de reflexão está proposto em Hegel? Como o autor sustenta a argumentação da reflexão divida em reflexão ponente, exterior e determinante?

Palavras-chave: Hegel, ciência, lógica, reflexão, ponente, exterior, determinante.

ABSTRACT

What is the concept of reflection is proposed in Hegel? How the author supports the argument reflection partitioned in positing, external and determining reflection?

Key words: Hegel, science, logic, reflection, positing, exterior, determining.


 

INTRODUÇÃO: INTERPRETAÇÃO DA REFLEXÃO NA DOUTRINA DA ESSÊNCIA

Para realizar a interpretação da reflexão na doutrina da essência me proponho primeiro as seguintes perguntas: O que é a Reflexão? Como está dividida a reflexão (ponente, exterior e determinante)? Frente a tantos que tem mais capacidade e conhecimento do que eu para a realização desta tarefa, segue, a minha tentativa de responder a estas questões.

 

REFLEXÃO OU REFLEXÃO PURA ABSOLUTA

Neste ponto do texto Hegel apresenta a reflexão que de maneira imediata é a aparência[1]. Mas a reflexão não é apenas imediatidade, é mais, é uma “dinâmica circular da essência na sua infinita relação consigo mesma[2].” Nos momentos desta “infinita relação consigo mesma” a essência fica posta nela mesma, a isso Hegel nomeia reflexão[3], sendo a unidade da essência com a aparência. A reflexão é a aparência que se alienou em sua imediatidade tornando-se assim reflexão[4]. “A essência é reflexão; o movimento do devir e da passagem, que permanece em si mesmo, onde o distinto[,] pura e simplesmente[,] é determinado apenas como o em si negativo, como aparência.”[5]

Aqui Hegel apresenta claramente a diferença entre o devir na doutrina do ser (“dialética do passar”[6]) e na doutrina da essência (“dialética da reflexão”[7]):

1)    Na doutrina do ser, no devir do ser: o ser é substrato, e as determinações são em relação com um outro[8]. Algo e outro estão marcados pelo limite como ser negado.

2)    Já na doutrina da essência o “movimento reflexionante[9]” o outro é a negação em si mesmo, é a própria negação se relacionando na negatividade consigo mesma, não há um outro fora da essência. Na negação do ser “tem o seu ser[10]”.

Como Hegel argumenta a diferença entre o ser da doutrina do ser e da doutrina da essência?

Aqui Hegel está falando do movimento “do nada para o nada”, neste movimento o ser aparece como outro, mas se consome em si neste movimento retornando ao nada. Entretanto no decorrer desta passagem, fica a memória da geração e do retorno, assim no movimento temos momentos de ser e não ser não como distintos fora de si, mas como diversos indeterminados dentro da essência. Na doutrina do ser temos o movimento de passagem do ser no outro através de um substrato.

A imediatidade é um movimento que aqui aparece na “igualdade [da essência] consigo mesma[11]” sendo assim a negatividade absoluta[12] que traz em si a estrutura de autonegação.

Desta maneira temos na doutrina da essência que o devir é o “movimento do nada para o nada[13]” que retorna em si. Este retorno em si (o devir na essência) não pode se confundir com a própria essência, pois a essência é apenas a negatividade pura, não tem o movimento do devir[14].

Bordignon esclarece que “o primeiro nada[I] é a aparência como negação da essência”[15] e que “o segundo nada[II] é a essência que se determina como aparência.”[16] E explica que “o primeiro nada[I] é a aparência como negação que nega [a] si mesma; o segundo [nada[II]] é a essência como permanecer em si igual consigo nessa negação na medida em que a essência se determina na aparência.[17]

Quando Hegel fala da reflexão está falando da reflexão pura absoluta a reflexão em geral, que vai se determinar a si mesma em (I) reflexão ponente, (II) reflexão exterior e (III) reflexão determinante.

 

I - REFLEXÃO PONENTE

Hegel inicia esta parte do texto (§1) referindo-se a “reflexão absoluta da essência[18]”, a saber, o movimento reflexivo de retorno a si mesmo. Adiante no texto o autor vai determinar como esta alternância se desdobra. Na argumentação hegeliana fica evidente que, mesmo a aparência não tendo essência (“sendo destituído de essência”) não é um outro da essência. A aparência é a própria manifestação da essência que se dá pela negação da própria essência. Em realizando este movimento a essência se mostra, no movimento de reflexão, como o sair e retornar a si mesma mantendo em si a unidade. A reflexão ponente é o movimento em que Hegel explicita isso através da apreensão e superação da imediatidade.

O que é esta imediatidade a qual Hegel se refere (§2)?

Como a reflexão (§3) “é o movimento do nada para o nada”, esta congruência, da negação que se une consigo mesma: é a imediatidade. Hegel explicita que este movimento não é como no ser uma passagem para seu outro (como ocorria na doutrina do ser), mas é a superação da passagem, na reflexão de si em si mesmo, sendo assim em um primeiro momento (1) “igualdade consigo ou imediatidade”, e em segundo momento (2) negação que se une consigo mesma negando sua própria imediatidade.[19]

Assim temos dois sentidos para esta imediatidade:

(1)  “negação que se une consigo mesma” e

(2)  “igualdade do negativo consigo [...] igualdade que nega a si mesma [...] é o que não é”

O que é o ser posto?

Temos aqui o momento em que Hegel coloca a condição ponente da reflexão: “A reflexão é, portanto, o movimento que, uma vez que é retorno, é primeiramente nele aquilo que inicia ou o que retorna[20]”.

(§4) Pois é na reflexão que o que é, é inicialmente ou como retorno, ou seja, é na reflexão que o que é: está posto.

Como Hegel argumenta isso?

(§5) Pôr:

O pôr é o movimento circular que a reflexão realiza, de-si para si-mesmo. Este movimento se dá pela negação absoluta de si, que faz com que chegue (retorne) em-si-mesmo. Este movimento é o superar-de-si-mesmo, ou seja, superar a sua negatividade negando-a e ainda assim permanecendo negativo. Eis o movimento pelo qual a reflexão se põe.[21].

(§5) Pressupor:

No movimento anterior, o momento do pôr, explicita-se o pressupor, pois o movimento no sentido de negar a si mesmo chegou novamente em si, ou seja, no seu pressuposto. O movimento que foi até o nada em seu pôr tem como seu pressuposto o nada, posto temos o nada como ponto de partida.

Tal movimento supera a imediatidade do ser posto, contudo retornando a si mesmo.[22]

Assim, a essência através do superar de sua igualdade é igualdade consigo mesma, através do pressupor-se e do superar desta pressuposição é ela mesma, a superação da imediatidade é o retorno em si mesma, pois que a reflexão “encontra um imediato diante dela, que ela ultrapassa e do qual ela é a imediatidade superada“[23]. Assim a reflexão ponente é unidade autorreferente, uma tautologia, mas não apenas uma identidade, uma identidade e negação desta identidade ao mesmo tempo. Além disso, desvela a essência frente a um imediato que na superação da imediatidade se mostra como sendo a essência mesma[24].

Esta parte que trata da reflexão ponente encerra-se encaminhado para a reflexão exterior, e também apresentando a porção da reflexão ponente que terá papel na reflexão determinante, posto que a superação da imediatidade se dá frente ao “ser posto” e assim tem um aspecto que será encaminhado para a reflexão exterior e também um aspecto que é determinante pois faz parte de uma negação, a saber a negação de si mesma.[25]

 

II - REFLEXÃO EXTERIOR OU REAL

A reflexão absoluta fala da imediatidade da aparência, o ser posto, na reflexão ponente é reflexão que se pressupõe e que se põe, sempre retornando em si. Já a reflexão exterior, ou real, é o “negativo de si” que se determina em “reflexão-em-si, que é imediata” e naquele “que é seu não ser” expresso na superação da negatividade.[26]

A reflexão exterior, diferentemente da reflexão ponente que tem o nada como pressuposto, tem como seu pressuposto um ser como relação imediata consigo mesma. Trata das relações reflexivas com o imediato, que se faz a partir da superação imediata do pôr pelo próprio pôr. [Mas o que é a determinidade apenas como momento?]. A reflexão exterior se relaciona com o ser posto como sendo este “o negativo da reflexão [...] superado como negativo.” Assim a determinidade que a reflexão exterior põe no imediato são determinações exteriores ao imediato. A imediatidade que está posta, desta forma, faz com que as determinações fiquem em segundo plano, e a reflexão exterior, se dobra sobre si mesma, em relação não a determinação, mas em relação ao real, ao ser posto. Assim, na reflexão exterior temos dois momentos o primeiro como o finito na doutrina do ser, o real, o posto como substrato, o segundo como reflexão-em-si ou o infinito da doutrina do ser.[27]

Neste ponto cabe a digressão de pensarmos a relação dos imediatos, que estão no momento da reflexão exterior, e que vão se relacionar como sendo objetos que se distinguem na indeterminidade uns dos outros. Mais adiante, neste texto, na interpretação da reflexão determinante, irei compor a alegoria do oceano onde esta digressão ficará explicitada.

Outro produto da reflexão exterior é o termo médio que está entre a reflexão-em-si e a imediatidade, a saber: o imediato determinado.[28] [O que é a reflexão-em-si? O infinito da doutrina do ser, o indeterminado ao qual o finito pertence.]

No quarto, complexo, paragrafo, Hegel faz realiza a conexão entre a reflexão ponente e a reflexão determinante pela primeira vez, que irá consolidar na reflexão determinante. O esforço que o autor realiza é o de fazer superar-se a imediatidade do ser posto como externo a essência, e novamente suprassumir o ser posto na reflexão. Como Hegel argumenta isso? Através do pressupor do imediato e do por do imediato determinidade e imediatidade ficam unificadas. Hegel demonstra que no procedimento realizado tanto pelo pôr quanto pelo pressupor imediatidade e determinação referenciam-se uma a outra, realizando assim a unidade de ambas, e assim tornando-se momento da reflexão determinante.[29]

 

OBSERVAÇÃO

Nesta observação Hegel torna claro que deseja dar outra conotação a reflexão, pois os trabalhos realizados pelos seus antecessores e contemporâneos, em especial Kant tratam apenas da reflexão exterior hegeliana, e não dão conta de perceber a unidade da essência contida na reflexão.[30]

III - REFLEXÃO DETERMINANTE

Em Hegel, a Reflexão Determinante, pude depreender, é a “unidade entre a reflexão ponente e reflexão exterior” (pp. 125ss - §1). Hegel organiza esta parte do texto em 8 parágrafos. Inicialmente, no ponto 1 - §2, Hegel sintetiza o que foi visto entre a Reflexão Ponente e a Reflexão Exterior. “A reflexão exterior começa com o ser imediato, a reflexão ponente começa com o nada.” (p. 126 - §2).

Reflexão exterior: A reflexão exterior se torna determinante, pois pressupõe um outro que é a essência enquanto algo posto, imediato. É concreto como reflexão-em-si, mas ainda não como “reflexão mesma” (WERLE, p. 126 - §2). Comparação do ser posto com a negação imediata na doutrina do ser. “À existência corresponde na esfera da essência o ser posto.” (WERLE, p. 126 - §3). “A existência é apenas ser posto;” (WERLE, p. 126 - §3). Percebe-se a importância da reflexão exterior por apresentar para o “ser posto” que é o médio entre a existência e a essência e “une a existência com a essência e inversamente a essência com a existência.” (WERLE, p. 126 §3). Atribuir importância maior a existência frente ao ser posto nos remete a reflexão exterior e a subjetividade.

Desta forma, em sendo o ser posto a relação imediata com a essência, mas ainda não a determinação de reflexão, pois é apenas “determinidade como negação em geral.” (WERLE, p. 126, §4), o ser posto se torna determinação de reflexão apenas quando em relação com a reflexão exterior, como “pressupor absoluto” (WERLE, p. 127 - §4), pois neste momento se afasta da “reflexão de si mesma ou o pôr da determinidade como dela mesma” (WERLE, p. 127 - §4).

No §5 temos a distinção entre determinação de reflexão e determinidade do ser, da qualidade[31]. Se me permitem, aqui vou lhes contar a historia do oceano (limitado à compreensão de uma aproximação realizada a partir de um ser-determinado, e não mais um ser puro abstrato tratado em Hegel. Compreendo os riscos que emergem desta atividade, mas creio que seja profícua sua utilização por tentar ilustrar este conteúdo tão abstrato):

Percebo que tratamos na doutrina do ser das determinações do ser puro enquanto determinações em relação exterior, em relação ao outro. Este ser e outro são componentes do ser, ao lhes verificarmos não se sustentaram, e acaba por desabar, sendo suprassumidos na essência. A partir da verificação do que é essencial e do que é inessencial a essência se põe na existência. A aparência é o restolho de ser na doutrina da essência. A partir daí temos reflexão que é primeiramente ponente, depois externa e finalmente determinante.

Pensando nas determinações do ser como relação, temos que o ser é em relação ao que não é.

Assim poderíamos ter o oceano, que é em relação ao que não é terra, ao que não é ar, ao que não é espaço sem preenchimento. Ao penetramos nestas determinações imediatas, percebemos que o oceano é composto por (entre elementos que não nos interessam neste momento) gotas de água, que abstratamente podem ser delimitadas. Coloco esta progressão em uma linha horizontal em que o que é o é em relação a outros, e assim estas relações se enfileiram, em uma dimensão qualitativa, primeiramente infinita no que se refere a sua indeterminação, e logo depois em uma dimensão finita de acordo com as determinações dentro do próprio infinito.

Já na determinação da reflexão, dentro da doutrina da essência, temos outra qualidade de progressão. Progredimos verticalmente para dentro do ser que se suprassumiu em essência. Agora não temos mais a relação das gotas de água com o oceano, ou do oceano com o que não é oceano, mas sim do que é e do que não é a gota de água em relação a si mesma e para si mesma. Em um primeiro momento na verificação do que é essencial e do que é inessencial, logo após na aparência, que é a essência que se mostra e finalmente na reflexão, que se encerra na explicação do processo realizado e se dirige para a determinação de reflexão.

No §5, Hegel nos explica que o ponto onde a determinação não consegue se sustentar é justamente a relação entre algo e outro (ver algo e outro na doutrina do ser, ser-aí). Aqui, a essência se sustenta, pois não está relacionada à qualidade, e não vai se determinar em relação a um outro. A determinação se dá na saída e no retorno, a que aponta para si-mesmo que é a essência, esta similitude na negação em seus momentos que sempre apontam para o mesmo local, faz com que a determinidade se sustente e assim tenhamos a determinação e reflexão, então isso responde a primeira pergunta: qual o caminho do ser posto até a determinação de reflexão[32].

Aqui ficou exposta a reflexão-em-si que se exteriorizou de si, tornando-se essencialidade livre através da unidade dos momentos da reflexão, transformando a determinidade em “aparência determinada”, assim a “reflexão determinante é a reflexão que veio para fora de si;” (WERLE, p. 127 - §6) e isso responde a segunda questão.

Percebe-se na determinidade de reflexão uma sobreposição de camadas abstratas. Sendo relação refletida em si mesma e ser posto, temos pelo menos dois caminhos diferentes para as sobre posições de camadas que enumerei da seguinte forma:

Ser posto: “um não ser contra um outro, a saber, [1] contra a reflexão-em-si absoluta ou [2] contra a essência.” (WERLE, p. 128, §8);

Relação refletida em si mesma: [3] “sua reflexão e aquele ser posto são distintos; seu ser posto é antes seu ser superado; seu ser refletido em si mesmo, porém, é seu subsistir.” (WERLE, p. 128, §8).

Assim “[4] a determinidade de reflexão é a relação sobre seu ser outro nela mesma.”, “relação infinita consigo mesma.” (WERLE, p. 128, §8)

Desta forma concluo que:

Neste mergulho vertical, que o saber faz atravessando o ser, chegando à essência, depara-se com o movimento da essência que: “determina sua imediatidade como a negatividade e sua negatividade como a imediatidade e, assim, a aparência de si em si mesma. A essência nesse seu movimento de si é a reflexão.” (WERLE, p. 118). Aqui é determinante em suas últimas consequências se tornará a determinações geradas pela reflexão.

Munidos desta teia categorial chegamos a um ponto em que o que é se diz de diversas maneiras, mas em especial o que é se diz de si mesmo através da reflexão ponente, que põe o seu ser como outro na existência, e a “imediatidade, que ela pressupõe para si como superar, é pura e simplesmente apenas como ser posto, como algo superado em si, que não é distinto do retorno em si e é mesmo apenas esse retornar. Mas ele é ao mesmo tempo determinado como um negativo, como imediatamente contra algo, portanto, contra um outro. Assim, a reflexão é determinada;” e “na medida em que, segundo essa determinidade, ela tem um pressuposto e começa do imediato como de seu outro, ela é reflexão exterior” (WERLE, p. 122), a reflexão exterior que é o atrito entre a imediatidade e a determinidade, cada uma em um dos seus extremos, o pôr do imediato, inicio e fim, e finalmente a reflexão determinante que junta as duas anteriores.

A relação infinita, consigo mesma, da determinação de reflexão, é alcançada através do atrito da reflexão ponente e da reflexão exterior. A reflexão determinante é a consciência deste movimento.

REFERÊNCIAS

HEGEL, G.W.F. Fenomenologia do Espírito. Tradução de Paulo Meneses. Petrópolis, Editora Vozes, 2003. 551 p.

 

_____________ Ciência da Lógica: (excertos). Seleção e tradução de Marco Aurélio Werle. São Paulo, Barcarolla, 2011. 285 p.

 

_____________ Science of Logic. Blackmask Online. 2001. Disponível em: http://www.hegel.net/en/pdf/Hegel-Scilogic.pdf. Acessado em: 10/9/2013.

 

 



*Mestrando no curso de Filosofia da PUCRS/CNPq. Contato: artur.lopes@arturlopes.pro.br

[1] Ver aparência em WEBER, páginas 115 e seguintes.

[2] BORDIGNON, Michela. A REFLEXÃO. Sessão 7/4/2014 do PPG-Filosofia da PUCRS.

[3]“O aparecer da essência nela mesma é a reflexão.” (IBER. Apresentação do preâmbulo à primeira seção da lógica da essência “A essência como reflexão nela mesma”. Sessão 10/3/2014 do PPG-Filosofia da PUCRS.)

[4] WEBER, p. 119

[5] Ibid.

[6] BORDIGNON, Michela. A REFLEXÃO. Sessão 7/4/2014 do PPG-Filosofia da PUCRS.

[7] Ibid.

[8] WEBER, p. 119

[9] Ibid.

[10] Ibid.

[11] Ibid.

[12] “O primeiro, porém, contra esse outro, o imediato ou o ser, é apenas essa igualde mesma da negação consigo mesma, a negação negada, a negatividade absoluta.” Ibid.

[13] Ibid.

[14] “O ser é apenas como movimento do nada para o nada, assim ele é a essência; e essa não tem esse movimento em si, mas é ela como a aparência absoluta mesma. A pura negatividades, que não tem nada fora dela que  a negou, mas que apenas enga o seu negativo mesmo, que é apenas nesse negar.” Ibid.

[15] BORDIGNON, Michela. A REFLEXÃO. Sessão 7/4/2014 do PPG-Filosofia da PUCRS.

[16] Ibid.

[17] Ibid.

[18] “A aparência é o nulo ou o destituído de essência; mas o nulo ou o destituído de essência não tem seu ser em um outro, no qual aparece, mas seu ser é sua própria igualdade consigo mesmo; essa alternância do negativo consigo mesmo determinou-se como a reflexão absoluta da essência.

Essa negatividade que se relaciona consigo mesma é, portanto, o negar dela mesma. Ela é assim, em geral, tanto negatividade superada quanto é negatividade. Ou ela mesma é o negativo e a igualdade simples consigo mesma ou imediatidade. Ela consiste, portanto, em ser ela mesma e não ser ela mesma e, na verdade, em uma unidade.” (WERLE. p 120)

[19] “Inicialmente a reflexão é o movimento do nada para o nada, ou seja, a negação que se une consigo mesma. Esse unir consigo é em geral igualdade simples consigo, a imediatidade. Mas essa congruência não é passagem da negação na igualdade consigo como em seu ser-outro, mas reflexão é passagem como superação da passagem; pois ela é congruência imediata do negativo consigo mesmo; assim essa união e primeiramente igualdade consigo ou imediatidade; mas, em segundo lugar, essa imediatidade é a igualdade do negativo consigo, ou seja, a igualdade que nega a si mesma; a imediatidade, que em si é o negativo, o negativo de si mesmo, é o que não é.” (Ibid.)

[20] “A relação do negativo consigo mesmo é, portanto, seu retorno em si mesmo; a relação é imediatidade como a superação do negativo, mas imediatidade pura e simplesmente apenas como essa relação ou como retorno desde o uno, ou seja, a imediatidade, que se supera a si mesma. – Essa é o ser posto, a imediatidade puramente apenas como determinidade ou como se refletindo. Essa imediatidade, que é apenas retorno do negativo em si mesmo, é aquela imediatidade que constitui a determinidade da aparência é de onde anteriormente pareceu começar o momento reflexionante. Ao invés de poder começar por essa imediatidade, essa é antes primeiramente como o retorno ou como a reflexão mesma. A reflexão é, portanto, o movimento que, uma vez que é retorno, é primeiramente nele aquilo que inicia ou o que retorna.” (Ibid. p. 120-121)

[21] “Ela é pôr, na medida em que é a imediatidade como um retornar; não existe, a saber, nenhum outro, nem do qual nem para o qual ela retornou; ela é, portanto, apenas como retornar ou o negativo de si mesma. Mas, além disso, essa imediatidade é negação superada e o retorno superado em si. A reflexão como o superar do negativo é superar de seu outro, da imediatidade. Uma vez que ela é, portanto, a imediatidade como um retornar, um unir do negativo consigo mesmo, assim ela é igualmente negação do negativo como negativo”. (Ibid. p. 121)

[22] “Ela é, assim, pressupor. – Ou a imediatidade como o retornar é apenas o negativo de si mesma, apenas isso, não ser imediatidade; mas a reflexão é o superar do negativo dela mesma, ela é união consigo mesma; ela supera, portanto, seu pôr e, uma vez que ela é o superar do pôr em seu pôr, ele é pressupor. – No pressupor a reflexão determina o retorno em si como o negativo de si mesma, como aquilo cujo superar é a essência. Ela é sua relação consigo mesma, mas consigo como com o negativo de se mesma; apenas assim ela é a negatividade que permanece em si mesma que se relaciona consigo mesma. A imediatidade surge apenas em geral como retorno e é aquele negativo que é a aparência do início, que é negado por meio do retorno. O retorno da essência é, assim, seu rechaçar-se a si mesma. Ou a reflexão-em-si é essencialmente o pressupor daquilo de que ela é o retorno”. (Ibid.)

[23] (§6) “É por meio do superar de sua igualdade consigo mesma que a essência é primeiramente a igualdade consigo mesma. Ela se pressupõe a si mesma e o superar desse pressuposto é ela mesma; inversamente esse superar de seu pressuposto é o pressuposto mesmo. – A reflexão, portanto, encontra um imediato diante dela, que ela ultrapassa e do qual ela é o retorno. Mas este retorno é primeiramente pressupor de algo encontrado diante dela. Esse algo encontrado diante dela apenas se torna algo quando é abandonado; sua imediatidade é a imediatidade superada. – A imediatidade superada, inversamente, é o retorno em si mesmo, a chegada da essência junto a si mesma, o ser simples igual a si mesmo. Assim, essa chegada junto a si é o superar de si e a reflexão que se afasta de si mesma, que pressupõe, e seu afastamento de si é a chegada junto a si mesma.” (Ibid. p 121-122)

[24] (§7) “Assim o movimento reflexionante, segundo o que foi considerado, tem de ser tomado como ato reagente [Gegentoss] absoluto em si mesmo. Pois a pressuposição do retorno em si – aquilo de onde a essência provém e que é primeiramente esse retorno – é apenas no retorno mesmo. Esse ultrapassar por sobre o imediato, por onde a reflexão começa, é antes primeiramente por meio dessa saída; e a saída por sobre o imediato é a chegada no mesmo. O movimento se volta como progressão imediatamente para ele mesmo e é apenas assim movimento de si – movimento que vem de si, na medida em que a reflexão que põe é reflexão que pressupõe; mas como reflexão que pressupõe é pura e simplesmente reflexão que põe. (Ibid. 122)

(§8) Assim, a reflexão é ela mesma e seu não ser, e ela é apenas ela mesma na medida em que é o negativo dela, pois apenas assim o superar do negativo é ao mesmo tempo como um unir-se consigo mesmo.”

[25] (§9) “A imediatidade, que ela pressupõe para si como superar, é pura e simplesmente apenas como ser posto, como algo superado em si que não é distinto do retorno em si e é mesmo apenas esse retornar. Mas ele é ao mesmo tempo determinado como um negativo, como imediatamente contra algo, portanto, contra um outro. Assim, a reflexão é determinada; na medida em que, segundo essa determinidade, ela tem um pressuposto e começa do imediato como de seu outro, ele é reflexão exterior.” (Ibid.)

[26] (§1) “A reflexão como reflexão absoluta é a essência que aparece nela mesma e pressupõe para si apenas a aparência, o ser posto; como reflexão que pressupõe, ela é imediatamente apenas reflexão que põe. Mas a reflexão exterior ou real pressupõe-se como superada, como negativo de si. Ela é duplicada nessa determinação, uma vez como o que é pressuposto ou a reflexão-em-si, que é o imediato. Outra vez ela é como a reflexão negativa que se relaciona consigo mesma, ela se relaciona consigo mesma como com aquele que é seu não ser.“ (Ibid.. pp. 122-123)

[27] (§2) “A reflexão exterior pressupõe, portanto, um ser, primeiramente não no sentido que sua imediatidade é apenas ser posto ou momento, mas antes que essa imediatidade é a relação consigo mesma e a determinidade apenas como momento. Ela se relaciona com o seu pressuposto de tal modo que esse é o negativo da reflexão, mas de tal modo que esse negativo é superado como negativo. – A reflexão em seu pôr supera imediatamente seu pôr, assim ela tem um pressuposto imediato. Ela encontra diante dela, portanto, o mesmo como algo do qual ela começa e do qual ela primeiramente é o retornar em si mesma, o negar desse seu negativo. Mas, que esse algo pressuposto seja um negativo ou algo posto, não interessa ao mesmo; essa determinidade pertence apenas à reflexão que põe, mas no pressupor o ser posto é apenas como ser posto superado. O que a reflexão exterior determina e põe no imediato são nessa medida determinações exteriores ao mesmo. – Ela era o infinito na esfera do ser; o finito vale como o primeiro, como o real; dele se inicia como sendo o que lhe está à base e que permanece na base, e o infinito é a reflexão-em-si que se põe diante dele.” (Ibid., p. 123)

[28] (§3) “Essa reflexão exterior é o silogismo no qual estão os dois extremos, o imediato e a reflexão-em-si; o termo médio do mesmo é a relação de ambos, o imediato determinado, de modo que uma parte do mesmo, a imediatidade, apenas cabe a um dos extremos, a outra parte, a determinidade ou a negação, apenas cabe ao outro extremo.” (Ibid., p. 123)

[29] (§4) “Mas, ao considerarmos de modo mais preciso o atuar da reflexão exterior, ela é, em segundo lugar, o pôr do imediato, que nessa medida se torna o negativo ou o determinado, mas ela é imediatamente também o superar desse seu pôr; pois ela pressupõe o imediato; ela é no negar o negar desse seu negar. Mas assim ela é imediatamente, da mesma maneira, pôr, superar do imediato que lhe é negativo; e esse, do qual ela parece começar como se fora de um estranho, é primeiramente nesse seu iniciar. O imediato desse modo não é apenas em si, isso significaria para nós ou na reflexão exterior ser o mesmo que é a reflexão, e sim é posto que é o mesmo. Ele é, a saber, determinado por meio da reflexão como o negativo dela ou como o outro dela, porém, é ela mesma que nega esse determinar. – Com isso, é superada a exterioridade da reflexão contra o imediato; seu pôr que se nega a si mesmo é o unir dela com seu negativo, com o imediato, e esse unir é a imediatidade essencial mesma. – O que temos, portanto, é que a reflexão exterior não é a reflexão exterior, e sim do mesmo modo a reflexão imanente da imediatidade mesma ou que aquilo que é por meio da reflexão que põe é a essência em si e para si existente. Assim ela é a reflexão determinante.” (Ibid., pp. 123 e 124)

[30] (§1) “A reflexão é usualmente tomada em sentido subjetivo como o movimento da faculdade de julgar, que ultrapassa uma representação dada de modo imediato e procura para a mesma determinações universais ou as compara com ela. Kant opõe a faculdade de julgar reflexionante à faculdade de julgar determinante (Critica da faculdade de julgar, Introdução, [A], p. XXIII ss.). Ele define em geral a faculdade de julgar como a faculdade de pensar o particular como contido no universal. Se o universal (a regra, o princípio, a lei) é dado, então a faculdade de julgar, que subsume o particular sob o universal, é determinante. Mas quando apenas o particular está dado, para o qual ela deve encontrar o universal, então a faculdade de julgar é meramente reflexionante. Assim, a reflexão é aqui igualmente a ultrapassagem por sobre um imediato para o universal. O imediato ora se torna determinado como particular primeiramente por meio dessa relação do mesmo com o seu universal; para si ele é apenas um singular ou um ente imediato. Ora, porém, aquilo a que é relacionado, sue universal, sua regra, princípio, lei, é em geral o em si mesmo refletido, o que se relaciona consigo mesmo, a essência ou o essencial.

(§2) Mas aqui não se trata nem da reflexão da consciência nem da reflexão mais determinada do entendimento, que tem o particular e o universal como suas determinações, e sim da reflexão em geral. Aquela reflexão, a qual Kant atribui a procura do universal para o particular dado, é, como foi esclarecido, igualmente apenas a reflexão exterior que se relaciona com o imediato como com algo dado. Mas nela também reside o conceito da reflexão absoluta; pois o universal, o princípio ou a regra e o conceito, para o qual ela prossegue em seu determinar, vale como a essência daquele imediato, do qual se iniciou, assim como esse imediato vale como um nulo e o retorno do mesmo, o determinar da reflexão, vale primeiramente como o pôr do imediato segundo seu ser verídico, portanto, aquilo que a reflexão nele faz e as determinações que dela provém não valem como algo exterior àquele imediato, e sim como seu ser autêntico.

(§3) A reflexão exterior também era a que se visava quando se atribuiu à reflexão em geral todos os males possíveis – como por algum tempo foi o tom dominante na filosofia mais recente – e ela foi vista, como seu determinar, como antípoda e inimigo hereditário do modo de consideração absoluto. Com efeito, também a reflexão pensante, na medida em que se comporta como reflexão exterior, parte pura e simplesmente de um imediato dado, a ela estranho e se considera a si como o atuar meramente forma, que recebe o conteúdo e a matéria do exterior e é para si mesma apenas o movimento condicionado por esses. – Além disso, como imediatamente resultará mais precisamente junto à reflexão determinante, as determinações refletidas são de outra natureza do que as determinações meramente imediatas do ser. Essas últimas são mais facilmente admitidas como passageiras, meramente relativas, que se encontram em relação com algo outro; mas as determinações refletidas possuem a forma do ser-em-si-e-para-si; elas se fazem valer a si, por conseguinte, como as essenciais e, ao invés de serem passageiras em seus opostos, aparecem antes como absolutas, livres e indiferentes uma diante da outra. Elas se opões, por conseguinte, com tenacidade contra seu movimento; o ser das mesmas é sua identidade consigo mesmas em sua determinidade, segundo a qual, embora se pressuponham reciprocamente, se conservam nessa relação pura e simplesmente separadas.” (Ibid., p. 124)

[31] Na Lógica do Ser (p. 62) é possível perceber as determinações do ser sumarizadas: Determinado diante de um outro, determinado no interior dele mesmo e como indeterminidade e imediatidade abstratas. Enquanto determinidade como tal, qualidade; determinidade superada, grandeza e quantidade; quantidade qualitativamente determinada, medida. E na p. 75 (C. Devir, observação 1 - § 6) lê-se: “Um ser determinado, finito, é um ser que se refere a um outro; é um conteúdo que se encontra numa relação de necessidade com um outro conteúdo, com o mundo todo.”

[32] “A determinação de reflexão, ao contrário, é o ser posto como negação, negação que tem por seu fundamento o ser negado, portanto, não é para si desigual em si mesma, sendo com isso determinidade essencial, não passageira. A igualdade consigo mesma da reflexão, que tem o negativo apenas como negativo, como algo superado ou posto, é o que dá subsistir ao mesmo.” (WERLE, p. 127 - §5 – ponto 2)

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