Erasmo de Roterdã

Artur Júnior dos Santos Lopes
Cláudia Poli


INTRODUÇÃO

O Reformador não é o homem que enxerga que a reforma é necessária; nem mesmo o homem que, em devida época ou fora dela, prega a necessidade da reforma; o verdadeiro reformador é o homem que a realiza. (GILSON citado em DOLMAN, p. 8)

Escrever sobre Erasmo de Roterdã. Podemos ficar anos neste intento. Ainda assim a tarefa ficará incompleta. A densidade de seu pensamento e principalmente de seus interesses demonstram a necessidade de uma delimitação da abordagem da obra deste pensador.

Desta maneira preferimos organizar o trabalho primeiro situando Erasmo dentro de um tempo e espaço. Para atingirmos esta finalidade colocamos uma pequeníssima biografia, que, lança apenas bases para que compreendamos sobre a época a qual estamos falando. Em seguida descrevemos a cronologia completa de seus trabalhos para que os interessados na obra do holandês possam se aprofundar.

Logo após termos dado uma leve impressão de onde se situa Erasmo na história aproximamo-nos do nosso interesse principal. A abordagem da filosofia do holandês. Nesta parte, vamos destacar as correntes filosóficas que se destacam no pensamento deste homem. Levaremos em consideração, para esta empresa, a obra do holandês como um todo. Ainda assim, nosso olhar se deterá principalmente sobre os textos: O Elogio da Loucura, A Educação de um Príncipe Cristão, O Manual do Cristão Militante e O Protesto da Paz.

Faremos ainda um esforço para relacionar o pensamento do teólogo holandês com a atualidade. Verificaremos seus nexos e distanciamentos. Assim faremos uma aproximação da Fé de Erasmo com as Filosofias da Libertação que temos pungentes na contemporaneidade.

Calma. Sejam pacientes conosco. Exercitem as suas capacidades de alteridade! Pois ainda não nos demos por satisfeitos. Vamos demonstrar a transvaloração que Erasmo procura fazer. Para que nosso intento seja exitoso trouxemos diversas figuras para que verifiquemos, subjetivamente, do que estamos falando.

Finalizamos com nossa conclusão a respeito do que vimos e produzimos em Erasmo de Roterdã. Ainda assim não desejamos que as idéias que lançamos sejam conclusivas. Muito antes pelo contrario. Pretendemos distribuir o desconforto que vai fazer com que a busca pelo conhecimento da obra do autor seja intensificado, na espreita por outros olhares possíveis e que não, apenas, os dos autores desta obra.

1.      BIOGRAFIA DE ERASMO DE ROTERDÃ

Como já tivemos oportunidade de perceber em outros escritos que versam sobre personalidades da idade média, e não diferentemente em Erasmo de Roterdã, não existe consenso sobre nascimento e infância.


O escrito não fica prejudicado, pois nossa pretensão, nesta parte, é somente de ter idéia do tempo em que está inserido Erasmo de Roterdã. Portanto, queremos deixar claro para os leitores que procuram por um tratado histórico sobre o holandês: ficarão frustrados, pois não o encontrarão aqui. Orientamos nossa pesquisa para trazer dados que impactassem a filosofia a partir do pensamento do holandês. Pois ideologicamente cremos ser esta a função fundamental e radical desta cadeira.

“O destino do nosso tempo, que se caracteriza pela racionalização, pela intelectualização e, sobretudo, pelo ‘desencantamento do mundo’ levou os homens a banirem da vida pública os valores supremos e mais sublimes.” (Max Weber)

1.1.           COMEÇO

Desidério Erasmo é filho, provavelmente, do padre Roger Gerard de Gouda. Nasceu em 1466 em Rotterdam. Sua mãe Margarida Zerembergen, era viúva, filha de um médico da vila de Zerembergen.

Erasmo freqüentava diversas esferas da sociedade européia da sua época. Assim, sua concepção, era um fato muito embaraçoso. Em 1516 e 1524 Erasmo tentou registrar de forma diferente sua origem nas obras Opus Epistolarum Desiderii Roterdami.

Dado seu reconhecimento social, influenciou diretamente a construção de um currículum escolar que deixava de ser escolástico para ganhar ênfase nos estudos dos evangelhos. Nos estudos dos escritos clássicos como os de Plutarco, Sêneca e Esopo.

1.2.           INFLUÊNCIAS

Tendo ficado órfão precocemente foi enviado para estudar no colégio de São Lebuin em Deventer. Assim os pensamentos de Erasmo foram influenciados pelos Irmãos da Vida Comum, também conhecidos como “hieronímicos”, grupo de ensinadores que embasavam sua educação na obra Devotio Moderna de Gerard Groote e Florent Radewijns. Pela formação dos Irmãos passaram diversos ícones desta época. Lutero, Calvino, Loyola, Papa Adriano VI. O ensino dos Irmãos combinava uma metodologia direcionada para reformas individuais através do retorno à espiritualidade cristã e libertação através dos votos religiosos ou tradições monásticas. Daí emergiu, muito provavelmente, os aspectos de sua procura incansável por Cristo, e a semente de seu humanismo ético.

Freqüentou ainda a escola de Hertogenbosch. Esteve no mosteiro agostiniano de Steyn onde foi ordenado padre. Tornou-se secretário de Henrique de Bergen, Bispo de Cambrai. Fez estudos de teologia no Colégio Montaigu em Paris. Teve contato com Thomas Morus e Colet.

Erasmo viajou por toda a Europa. Foi um homem cosmopolitano engajado com os problemas de sua época. Sua erudição era reconhecida por todos que com ele trocavam. Isso lhe rendia muitos frutos.

1.3.           DAS OBRAS

Segue um registro das obras de Erasmo de Roterdã:

1500-2 - Adágios (primeira versão)
1502-4 - Manual do Cristão Militante / Panegírico
1505-6 - Epigramas (com Morus)
1507-8 - Adágios (segunda versão)
1509-14 - O Elogio da Loucura / De copia / Sobre o Método Correto de Estudar
1516 - Supervisiona a impressão da Utopia de Morus /O Novo Testamento /A Educação de um Príncipe Cristão
1517 - Questão da Paz / Colóquios (primeira versão)
1521 - Paráfrases / Sobre o Livre-Arbítrio / Ciceroniano / On Writing Letters / Método da Verdadeira Teologia / Antibárbaros
1529 - Da Educação das Crianças
1540 - Opera omnia

2.      A FILOSOFIA EM ERASMO DE ROTERDÃ

A moral e a política do Século XVI estavam unidas. Os fatos políticos eram julgados tendo em vista valores morais. A Educação do Príncipe Cristão, manual de conselhos dedicado a Carlos V, demonstra esta ligação.


Assim como a Moral e a Política o privado e o público encontram-se enredados em uma mesma esfera. O que dissemos sobre a obra do holandês também pode ser percebido em Maquiavel em O Príncipe. Esta vinculação não é privilégio da idade média. Podemos percebê-la também em Xenofontes no texto Cyropaedia de 364 a.C. que era um manual dedicado ao pretendente do trono persa: Ciro.

2.1.           MORAL E POLITICA EM ERASMO

Apesar de já termos contato com termos da filosofia como: ética, moral, política, vejo a importância de retomá-los, para que os tenhamos frescos em nossas mentes. Vou me socorrer com as definições do filólogo Tosi:


A palavra ética vem do grego ethos e possuía, na Grécia antiga, dois sentidos: significava tanto os costumes, as tradições, os comportamentos coletivos de um grupo social, quanto o caráter, o hábito, o comportamento individual de uma pessoa. A palavra ética pode indicar a reflexão racional e crítica “sobre” os costumes coletivos e individuais para saber quais deles podem ser aceitos ou devem ser rejeitados. Neste terceiro sentido, a ética é parte da Filosofia e é chamada também de Filosofia Moral. A Filosofia Moral, isto é a reflexão racional e coletiva sobre os costumes, aparece quando se dá uma crise do ethos coletivo, isto é, das tradições e dos costumes, e os indivíduos, não tendo mais padrões de comportamento consolidados, precisam encontrar um novo fundamento e um novo consenso para a ação.


A palavra moral (que vem do latim mos,ris) possui um significado parecido e, às vezes, é usada como sinônimo de ética, mas prefiro utilizá-la para definir o âmbito do comportamento individual, enquanto que o ético define o âmbito dos costumes e do comportamento coletivo


A questão da ética na política tem que articular, então, quatro dimensões: de um lado a moral individual e a ética coletiva, que encontram sua fundamentação e justificação na força interna e interiorizada que os costumes e os hábitos exercem sobre o indivíduo e a sociedade; do outro lado o direito e a política que encontram seu fundamento em algum tipo de coação e de força externa legitimamente exercitada pelo Estado.

2.1.1.          A Política

Em Erasmo não se percebe distinção alguma entre a coisa pública e privada. O autor prefere uma abordagem moral das ações dos governantes. No caso as monarquias hereditárias. Os príncipes. Deseja reduzir a política de sua época a um grande amontoado de regras ditadas pela moral na qual acreditava. Logo, na sua visão, não existe política como entidade autônoma.

Nesta época ainda não vamos ter algo evidente sobre política. Ela está sendo tratada e se desenvolvendo na prática. Ainda assim percebe que o governo tem de ser direcionado par ao Bem Comum.

2.1.2.          A Moral

É fundamental que se diga que a moral para Erasmo era um pouco distinta da que se pregava na época. Não duvidava de onde radicá-la, mas estava preocupado com as distorções que ocorriam nas suas vertentes. Explico: O holandês erigia a sua moral sobre a pedra fundamental do cristianismo. Apesar disso discordava da forma como a Igreja Católica estava dirigindo o cristianismo. Logo estava buscando um novo esteio para o próprio Cristianismo instituído na Igreja Apostólica Romana. Sua filosofia procura uma saída. Transcende de Filosofia Escolástica para uma Filosofia Cristã. Estes aspectos são claros na obra Enchchiridion Militis Christiani obra onde fica apresentada “uma visão do mundo clássico preparando a mente para a revelação, um cristianismo prático baseado na compreensão do Evangelho, um código ético edificado sobre a reverencia a um Indivíduo divino.” (DOLAN, p.20).

Critica duramente o clero pro não viver em consonância com o cristianismo primitivo, que para ele era uma vida pautada no amor e na simplicidade. Esta critica está destacada no Elogia a Loucura.

Não estão livres da sua crítica os cavaleiros e camponeses, que segundo sua visão, viviam de forma equivocada envolvidos com romarias inúteis, e por muitas vezes contrariando a dignidade e a moral humanas.

2.2.           CARACTERISTICAS DO PENSAMENTO DE ERASMO

Erasmo demonstra ceticismo, não profundo é verdade. Não está subordinado aos dogmas da Igreja Católica mas acredita em algo posto. Algo que é imutável. Então tem traços dogmáticos. Sobre este aspecto, sua fé dá sinais de alteração, pois vai acreditar, reforçar e apoiar a autonomia do ser humano, o que fica explicito em sua obra de Libero Arbitrium. Seu pensamento é cristocentrico. Seus críticos apontam que foi mais veemente que o próprio Aquino em sua defesa do Livre Arbítrio. Sua filosofia transcende a agostiniana mas não a ponto de libertar o ser humano. Apenas verifica uma nova forma de prisão para o mesmo. Uma forma de sustentar as estruturas, mas suas pilastras ainda são muito frágeis.


Logo está em busca de uma transvaloração. Quer apoiar sua fé em valores que não os pungentes em sua época. Erasmo deseja mais. Ainda assim está comprometido com a sociedade. Precisa agradar a muitos e por vezes me pareceu que o fazia, mas não sem tensão. Pois era pressionado de vários lados.


Erasmo é ontológico. As coisas para ele são o que reforça a sua veia dogmática. Apesar disso constrói uma filosofia humanista, a partir do ponto em que prefere que a política se reverta para o bem comum.


Vemos nos seus esforços uma tentativa de criar uma nova regra ética válida para todos e com a perspectiva de pacificação da Europa, que estava em pé de guerra. A moral que sugere está baseada nos textos bíblicos e não na Igreja. Tem a obra e retidão dos apóstolos como modelo a ser seguido. Esta visão causa-lhe problemas pois a Igreja Católica que se distanciava, muito, destes ideais. Uma postura que não levasse em conta a acumulação de riquezas não interessava a instituição.


Existem traços de empirismo no pensamento de Erasmo que crê na possibilidade da educação, tanto crê que traça vários trabalhos na área pedagógica. Não formaliza uma teoria do conhecimento, é bem verdade, mas percebe o exemplo como forma de sensibilizar os sentidos humanos. Portanto acredita na construção de um saber prático ou ativo, em oposição ao saber meramente contemplativo. Ainda assim Erasmo valoriza mais a Fé do que as demonstrações lógicas.


Erasmo dá grande valor à educação como podemos ver na sua obra A Educação do Príncipe Cristão:


A Sabedoria em si mesma é uma coisa maravilhosa, ó Carlos, o maior dos príncipes -- e nenhum tipo de sabedoria é classificada por Aristóteles como mais excelente do que a que ensina como ser um príncipe benevolente; pois Xenofonte, em seu Oeconomicus considerava corretamente que há algo que vai além da natureza humana, algo completamente divino, no governo absoluto sobre súditos livres e dispostos. Esta é naturalmente a sabedoria que deve ser tão desejada pelos príncipes, o único presente que o jovem Salomão, altamente inteligente, suplicou, desprezando tudo o mais, e desejou ter continuamente assentada ao lado de seu trono real. Esta é aquela bela e virtuosa Sunamita, em cujos braços Davi, sábio pai de um sábio filho, encontrava seu único prazer. É ela que diz em Provérbios: ‘Por mim governam os príncipes e os nobres; sim, todos os juízes da Terra.’ Sempre que os reis a convidam para seus conselhos e expulsam aqueles maus conselheiros -- a ambição, a ira, a ganância e a lisonja -- a comunidade floresce em todas as formas e, sabendo que deve sua felicidade à sabedoria de seu príncipe, diz com justificada satisfação: ‘Todas as boas coisas vieram-me juntamente com ela.’ E da mesma forma, em nenhuma situação é Platão mais meticuloso do que na educação dos guardiães da república, que para ele deveriam ultrapassar todos os demais não em riquezas e jóias e vestidos e ancestrais e servos, mas somente em sabedoria, afirmando que uma comunidade só pode ser feliz quando os filósofos tomam o leme, ou quando aqueles a cuja sorte o governo foi confiado abraçam a filosofia – não aquela filosofia, digo eu, que discute os elementos e a matéria primitiva e o movimento e o infinito, mas aquela que liberta a mente das falsas opiniões da multidão e dos desejos errados e demonstra os princípios do governo correto mediante referência ao exemplo estabelecido pelos poderes eternos. Acredito que algo desta espécie deve ter passado pela mente de Homero quando Mercúrio arma Ulisses contra a feitiçaria de Circe com a erva chamada moly. E Plutarco tem boas razões para crer que nenhum homem presta ao estado maior serviço que aquele que equipa a mente de um príncipe (que deve examinar os interesses de todos os homens) com os princípios mais elevados, dignos de um príncipe; e que ninguém, por outro lado, provoca um desastre tão pavoroso nos negócios dos homens mortais do que aquele que corrompe o coração do príncipe com opiniões ou desejos errôneos, exatamente como um homem poderia colocar veneno mortal na fonte pública de onde todos os homens retiram água. Um comentário muito famoso de Alexandre, o Grande, aponta na mesma direção; ele saiu de uma conversação com Diógenes, o Cínico, cheio de admiração por sua sublime mente filosófica, inabalável, invencível e superior a todas as coisas mortais, e disse: ‘Se eu não fosse Alexandre, desejaria ser Diógenes’; de fato, quanto mais violentas as tempestades que devam ser enfrentadas pelo grande poder, mais deve ele desejar ter a mente de um Diógenes, que poderá estar à altura da imensa carga de acontecimentos. (ROTERDÃ, p. 296, 297)

Erasmo transparece nesta carta a Carlos V presente na Educação de um Príncipe Cristão, uma volta a toda a antiguidade clássica e resgata argumentos principalmente platônicos onde idealiza uma fórmula certa de bem e de valores morais.

3.      TRANSVALORAÇÃO

3.1.           O VALOR POSTO EM QUESTÃO

Entre os maiores problemas que se coloca a propósito da Renascença, um dos mais debatidos é se a Renascença é estruturalmente pagão ou anticristã.


Não se pode ver com suspeita o espírito genial e criativo na Renascença, para um cristão ele é a mais esplêndida manifestação de poder e bondade de Deus. O paganismo se instala só quando o gênio se arroga orgulhosamente os direitos de Deus. Mas quando se julga humildemente como canal e intermediário pelo qual transborda a potência criadora de Deus, não há nenhuma apostasia.


A valorização do homem, em si, não tem nada de anticristã, pelo contrário o reconhecimento do homem como pessoa é de inspiração cristã, e sobretudo a dignidade e grandeza do homem em sua dependência e relação com Deus, onde está consciência  da própria capacidade e a exaltação insistente da humanidade levam consigo o perigo sempre presente no homem, de esquecer, negligenciar-se e enfim negar a Deus.


Foi o que realmente aconteceu, durante a Renascença houve para muitos um grande enfraquecimento da fé, na prática da religião, no respeito à autoridade da igreja, também motivada pela situação histórica de confusão doutrinal de decadência moral dentro da igreja.


Assim o pecado da Renascença não foi o de ter valorizado o homem, mas de o ter valorizado em sentido unilateral: erro que levou aos poucos ao antropocentrismo absoluto, isto é ao ateísmo.


Para Erasmo a superação do homem está no retorno à fé,  a busca da sua libertação, de conceitos dogmáticos e determinados que são questionados onde busca a explicação dos valores morais nos fundamentos da fé, não na f é dogmática, castradora, mas na fé primeira, das escrituras, aquela deixada por Deus e não descrita pelos homens.


Em seu Manual do Cristão Militante deixa claro preferir o Sermão da Montanha aos veredictos do Papa, a militância disciplinada dos Jesuítas estava indisposta com o homem que acreditava que a caridade do cristianismo deveria ser livre e espontânea, e não consignada a leis externas, acreditava na paz como expressão do cristianismo, criticando a redução da teologia ao esquema estéril e defensivo de Bellarmino que congelou o pensamento clérigo por séculos, derretido somente por um raio de luz ocasional, que passava pelo descuidado censor. Se a teoria do desafio e resposta de Toynbeean pode ser aplicada à reação da Igreja aos seus críticos, então ela seguramente retornou a estes mesmos esquemas que Erasmo expôs tão completamente. Enquanto defendesse um sistema filosófico limitado, extremamente complicado e longamente petrificado, desprovido de toda a vitalidade importante, a mensagem de Erasmo permanecia inaudível. E assim esta idéia permaneceu em oposição ao seu real propósito, que era repetido com freqüência: "Tenho me esforçado para resgatar a teologia da sofisticada confusão que caiu para a sua simplicidade original e legítima", ou seja ele busca o caminho fundante da fé, a origem em si mesma, sua razão, sua contemplação diante de uma visão subjetiva de humanidade, onde o homem é o precursor de sua própria liberdade, Deus da a ele o livre arbítrio, mas este deve buscar seu caminho no início, ele indica o conhecimento interior como o primeiro passo para superar o mal.


Para Erasmo o problema fundamental na relação do aprendizado com a vida espiritual é resolvido pela crença, onde a literatura dos antigos oferecia influência formativa, os clássicos são recomendados pelos cristãos, não somente porque eles educam suas mentes na arte de apreciar o bem e inculcam os princípios do autoconhecimento, mas acima de tudo, porque seus conteúdos oferecem  muito para conduzir a uma vida honrada.


A base dos ensinamentos de Erasmo esta na doutrina de devoção, pois para ele o homem é composto em sua natureza por elementos espirituais e corporais e empenha-se em provar isso através das Escrituras, da tradição e da filosofia. Após ter estabelecido esta dualidade ele apresenta certas normas gerais ou regulamentos que conduzirão a devoção:


1.           Aspecto cristocênctrico da vida espiritual;
2.           Coisa visível do mundo atinge o invisível;
3.           Imagem de Cristo como modelo de devoção genuína em todos os momentos da vida
4.           Elenca recursos contra vícios individuais;

Para Erasmo  sua intenção de teologia se evidencia em uma interiorização, uma espiritualidade das práticas religiosas, uma relação mais pessoal entre as almas individuais e Deus, ele era sobretudo um homem prático, e por esse motivo à importância atribuída à retórica e à eloqüência como veículos que trariam o entusiasmo e cor, e transmitiriam os ideais de vida do Evangelho, a teologia excessivamente racional e analítica dos seus dias impedia  os estudantes, assim como os cristãos, de enxergar as realidades teológicas como elas verdadeiramente são, um modo de viver cristão.


O Manual do Cristão MIlitante permite a condução a uma vida teológica, ao invés de uma disputa teológica, como diz o próprio autor.


Mas como relacionarmos esta visão cristocêntrica, diante de uma perspectiva de libertação em um mundo contemporâneo?


Erasmo diz : "nesta vida é necessário que sejamos nosso próprios defensores", estamos constantemente sendo enganados por um mundo ilusório que nos capturam com elogios e promessas, comportamo-nos como se estivéssemos em um mundo sem hostilidade,celebramos a vida como se possuíssemos a garantia de vitória, quando na verdade a paz esta distante de nós, estamos em constantes conflitos com nós mesmos e com o outro, estamos sempre em busca de caminhos que nos de prestígio e poder, será que esta relação contemporânea com  o pensamento de Roterdã , não faz com que reflitamos sobre o reflexo que as lutas , guerras, conflitos religiosos, ambição e corrupção traz para a humanidade, quando ele traz a fé como uma forma de estabelecer uma verdade, ele busca nestas respostas fundantes diante de uma prática a partir de seu princípio de homem e constituição de sociedade, baseada em conceitos de amor, fraternidade e respeito entre si.


Na sua relação entre fé e liberdade, nos mostra a real condição de miséria que acompanha a batalha humana, nossos motivos podem não ser medo da vergonha, nem da esperança de recompensa, mas sim nossos motivos se baseiam hoje na ambição e no poder, na busca acima de qualquer coisa e em qualquer situação, o que não se diferencia em nada do homem descrito por Erasmo, quando diz: "A morte da alma é algo  que não podemos enxergar, há poucos que acreditam nisso, e há um número menor ainda  que se assusta com tal idéia. Eu poderia ressaltar que a morte da alma é certamente mais assustadora do que a morte do corpo. Isto é bastante evidente pelo fato da alma ser algo de maior importância do que o corpo, e Deus é maior do que a alma".


As armas da batalha cristã, para Erasmo esta vinculada a luta em nossa mente às  forças a que somos submetidos diante da vida, e das armadilhas que esta nos traz, assim   não há para ele realmente ataque proveniente do inimigo, nenhuma tentação violenta, que uma sincera utilização das Escrituras Sagradas possam eliminar. Penso que hoje a nossa defesa esta alencada ao mundo das idéias, do pensamento, das reflexões, das contextualizações diante de fatos que a vida nos apresenta , para Erasmo as Escrituras Sagradas seriam uma forma de defesa de sua liberdade enquanto ser, o que hoje poderá ser feito a partir de defesa de uma qualidade de vida sustentável ,onde o homem possa pensar as suas escolhas.


          Quando Erasmo diz que a coroa da sabedoria é que te conheças; e que conheças as duas espécies de sabedoria, a verdadeira e a falsa, nos demonstra o caminho que podemos escolher, para ele estas verdades estão ligadas à sabedoria de Deus, mas ao mesmo tempo este permite as nossas escolhas, o que não difere de uma concepção de mundo onde os caminhos são apontados e as escolhas são permitidas, onde nossas opções nos levam muitas vezes a caminhos tortuosos e oscilantes.


O homem é um ser entorpecido entre o seu exterior e o seu interior, luta constantemente pela busca de si mesmo, para Erasmo esta relação entende alma e corpo, o primeiro poderia ser comparado a uma espécie de vontade divina, já o segundo comparável a um animal estúpido. A busca desta verdade e de nossos conflitos, faz com que a nossa interioridade se mascare e deixamos a penas o nosso exterior se apresente diante do outro e de nós mesmos. Nessa busca constante do porque estamos aqui, e qual o nosso objetivo de vida, estamos sempre lutando por um caminho conflitante e de poder. Para Erasmo esta busca esta na fé primeira, na relação fundante de Deus e da vida.


Ao analisarmos a diversidade do significado das paixões na vida, buscamos caminhos diversos, que nos fazem estabelecer relações vinculadas a  razão. Percebemos as paixões como formas de liberdade de nossas escolhas, para Erasmo é preciso que identifiquemos as inclinações da mente e que percebamos que nenhuma delas é tão violenta que não possa ser contida pela razão ou redirecionada para a virtude, assim a razão deve cuidar do que o homem tem de mais vulnerável, para tanto é preciso perceber que há certas paixões que são tão similares à virtude que oferecem perigo, a menos que não deixamo-nos enganar pela duvidável distinção entre elas, elas devem ser corrigidas de forma a direcioná-las para a virtude mais próxima. Devemos ser cuidadosos, para que não ocultemos um vício de natureza com o nome de virtude, chamando a tristeza de seriedade, a dureza, justiça, a maldade, zelo; chamaria economia, adulação, amizade e a vulgaridade, civilidade. Para Erasmo de Roterdã  o único caminho da felicidade: primeiramente conhece-te a ti mesmo; não permita que sejas levado pela paixão, mas submeta todas as coisas ao julgamento da razão e deixe que a razão seja sábia, deixe que ela contemple idéias honradas e pergunta: Tens dificuldade de por estes conselhos em prática. Quem o nega? Platão tem um ditado adequado: "As coisas belas são igualmente difíceis". Nada é mais difícil para o homem do que conquistar a si mesmo, mas não há recompensa sem benção.


Assim o homem interior e exterior devem estar de acordo com as escrituras sagradas, pois são incapazes de distinguir entre as ordens da razão e os estímulos da paixão , de fato eles consideram ter existência somente o que é perceptível aos sentidos, seu único critério sobre certo e errado é aquilo que atrai seus desejos. O que entende por Paz é, em verdade, um lamentável estado de servidão.


Para tanto Erasmo acreditava que é um fato conhecido que a autoridade dos filósofos repousa a idéia de que eles afirmam o que está contido de forma diferente nas escrituras. O que eles chamam de "razão", Paulo chama de "o espírito" ou "o homem interior", ou ocasionalmente, "a lei da mente". O que eles mencionam sob a denominação de "paixões", ele chama "a carne", "o corpo", "o homem exterior", ou "a lei dos membros".

Buscar Paz na guerra, a guerra na Paz, vida na morte, morte na vida, liberdade na escravidão e escravidão na liberdade.

O Homem para Erasmo pode ter uma divisão tripartida, o corpo ou a matéria nossa maior fraqueza, o espírito, representando um reflexo da natureza divina do criador e a terceira parte que esta entre as duas, que nos torna sensuais e nos faz objetos do terrível destino daqueles que vivem de acordo com matéria. O espírito para ele tem a capacidade de nos tornar divino; a alma é o que realmente nos constitui como seres humanos, a matéria nos faz odiosos de Deus, desobedientes e cruéis, a alma é indiferente, não é boa nem má em si , pois muitos indivíduos confundem o que são realmente dons naturais ou talentos com virtudes, podemos falar de virtude somente na superação de uma inclinação perversa. 


Para que a prática Cristã tenha efeito diante das idéias de Erasmo de Roterdã , este criou algumas regras para se viver uma boa vida cristã, que poderiam ser definidas da seguinte forma:


·             A fé é a única passagem de Cristo, por isso devemos depositar grande confiança nas Escrituras;
·             Devemos estar preparados para experienciar e perder tudo, dos bens a própria vida, pela causa de Deus.
·             Analisar medos sem fundamentos, quando fazemos, percebemos que não são tão perversos quanto parecem, mesmo quando abstraímos da noção de recompensa, o caminho de Cristo é o mais lógico e razoável a ser seguido.
·             Faça de Cristo o único objetivo de sua vida;
·             Abster-se das coisas visíveis, que são, em sua maior parte, imperfeitas ou indiferentes, buscares o invisível;
·             As ações de um homem são meramente expressões de suas convicções interiores, para um homem viver agindo sempre de maneira correta, deve se educar desde a infância para as coisas que são de Cristo;
·              O caminho para a felicidade é veloz, pois tudo que temos a fazer é volta-nos para as questões espirituais;
·              Se sofreres constantes e pesadas tentações, não pense que Deus sente que não és bom suficiente para ele;
·             Generais cuidadosos montam guarda até mesmo durante tempo de Paz;
·             Esforça-te violentamente para afastar pensamentos pecaminosos de tua mente. Vira-te e cuspa na faze do tentador.
·             Tens dois perigos  para enfrentar, um é ceder, e o outro é tornar-se orgulhoso após a tentação ter sido superada;
·             Não é suficiente para um soldado meramente repelir um ataque, ele também deve dominar a arma de seu atacante e voltá-la contra  ele.
·             Considere cada batalha como se fosse tua última batalha e acabarás virtuoso.
·             Não devemos cometer o erro de supor que praticamente a maioria das virtudes será admissível que tenhamos um ou dois pequenos vícios. O inimigo que mais ignoras é aquele que conquista.
·             Se temeres o que possa experimentar quando estiveres superando uma tentação, consideres estas linhas; Não compares as dificuldades em combater a tentação com os prazeres do pecado. Compares o amargor da luta com o amargor que traz o pecado.
·             Se fores prejudicado quando o inimigo inadvertidamente atacar, não desista, aqueles de pouca vontade desistem completamente ao serem, derrotados uma única vez.
·             Cada tentação tem seu remédio apropriado, no entanto, há um remédio que pode ser aplicado a toda e qualquer tentação, e este remédio é a Cruz , que é o exemplo para aqueles que caem, e refúgio para aqueles que trabalham e a arma para aqueles que lutam.
·             Se lembrarmos quão repulsivos, abomináveis e detestáveis são os pecados assim que o desejo nos agitar, isto ajudará a neutralizar as tentações;
·             Compare as duas forças opostas. Tu fizeste de Deus teu inimigo por meio do pecado, e pecando, une tuas forças ao Demônio. Tua inocência faz de Deus teu amigo, com a posição e privilégios de um filho.
·             As recompensas são tão diferentes quanto os doadores;
·             A vida é triste e miserável, breve e veloz. A morte espera por todos os lados, perseguindo-nos;
·             O pior dos males é a severidade de coração.


Em sua obra O Manual do Militante Cristão, assim como faz considerações em relação a alguns vícios específicos do homem, também aponta meios de lutar contra eles , o que chama de Remédios Especiais para Vícios Específicos, estes vícios para ele seriam Luxúria, Avareza, Ambição,Orgulho e Arrogância, Ira e Vingança não me deterei e explicitar cada um deles, mas diante de uma análise reflexiva de sua visão de homem e de mundo é possível perceber a sua preocupação nos aspectos fundantes da fé , para ele se faz necessário a busca de si mesmo a partir de sua origem, somente o homem conhecendo a si mesmo poderá ter o livre arbítrio em suas escolhas e este conhecimento somente poderá se constituir diante da origem da vida e está para ele esta em Deus e na fé primeira.

3.2.           O PROTESTO DA PAZ

Em seu livro O Protesto da Paz  as reflexões propostas refletem  situações atuais vividas.

No mundo contemporâneo que muito parece com um campo de batalha, quando civilizações se confrontam por poder e glória, enquanto a economia globalizada de cada país esta deformada a ponto de ruptura no ritmo cada vez mais veloz, a mensagem de Erasmo ainda é de grande importância, a sua perspectiva de que uma Paz universal possa se constituir diante de ideais de lutas e esperanças a partir de uma constituição de sujeito voltada para as relações de igualdade, liberdade e fraternidade, principalmente do que se refere às escolhas que fazemos.


As situações históricas que constituem esta obra de Erasmo de Roterdã, parecem muito com o espetáculo de conflitos, corrupções que vivemos hoje, miséria, desigualdade, discriminação e principalmente a falta de esperança.


Erasmo personifica a Paz, ao condenar a terrível perversão do homicídio internacional, a participação de líderes da Igreja na guerra e acima de tudo, proclamando a crença de que nenhum cristão deveria permanecer indiferente aos problemas de justiça, paz e liberdade entre as nações.


O Protesto da Paz – Fala a Paz, onde cita em um de seus parágrafos: 


“A unanimidade é de necessidade absoluta para o homem, e ainda assim, nem a natureza, nem a educação, nem recompensas da harmonia e as desvantagens da desunião parecem ser capazes de unir a humanidade em amor recíproco. O homem possui um princípio unificador no fato de ele ser moldado na mesma figura e forma e dotado com o mesmo poder da palavra.


         Assim para Erasmo “ o que o povo denomina humanidade e delicadeza, nós preferimos chamar de benevolência.


        


     “SE A DISPUTA CONTÍNUA E A DISCÓRDIA NÃO TIVESSEM ENTORPECIDO NOSSOS SENTIDOS DE HARMONIA, QUEM PODERIA ACREDITAR QUE O HOMEM, DOTADO DE RAZÃO, PUDESSE PERPETRAR TAIS CRIMES, DERRAMAMENTO DE SANGUE E DESTRUIÇÃO DE LOCAIS SAGRADOS E PROFANOS?”

4.      ANÁLISE CRÍTICA

A visão de Erasmo de Roterdã diante da constituição de sujeito e de sua concepção de mundo, demonstra a sua ligação com a fé e a crença que esta possa estabelecer a partir de sua origem um ideal de mundo, onde o homem usufruindo de sua liberdade possa questionar e fazer suas escolhas.


Diante da construção de modelos teóricos e políticos é possível perceber que na sua positividade, procuram dar respostas totalizantes a interrogações da sociedade, não há lugar para a o sujeito. Através de um argumento de que todas as questões humanas já estão contidas na concepção metafísica da história, as paixões passa  a ser, também, coisa abstrata e geral. A teoria política tornou-se conjunto de normas e idéias intemporais, válidas para todos os momentos e circunstâncias e, portanto, separadas dos impulsos afetivos do pensamento e da ação. A busca do sujeito, a partir da crise dos grandes modelos explicativos e políticos, não é um dado novo.


Os valores postos em questão, fazem com se reflita sobre que mundo queremos, este mundo em que vivemos é possível?


Qual o nosso papel enquanto filósofos como precursores de ideais de humanidade?


Porque a filosofia ocupa uma posição tão importante nas relações de mundo e sujeito?


Qual o papel da Fé nesta relação?


Somos capazes de transvalorizar conceitos?


O que esta transvalorização?


         NÃO TENS QUEM TE ELOGIE? ELOGIA-TE A TI MESMO
         NUNCA HOUVE UM SÓ HOMEM QUE MANIFESTANDO RECONHECIMENTO, FIZESSE O ELOGIO A LOUCURA

CONCLUSÃO

 

 


Erasmo foi um humanista ético cristão, apesar de todos os esforços, retóricos, intelectuais, não teve a capacidade de se fazer compreender em sua época, e até hoje é muito citado mas pouco assimilado.


Desconstrutor. Assim o vemos. Mas frágil em sua forma. Apegado em certezas. Não conseguiu desconstruir os arreios que o faziam cair. Não conseguiu se fazer ouvir em sua época. Intelectual, inteligente, gentil, de boa fala. Mas decorativo. Um bibelô. De pouca serventia para as questões práticas da época que exigiam mais força. Talvez pelo emprego, senão tanto da inteligência e da radicalidade do olhar mas da força, Lutero e Calvino tenham conseguido levar seus intentos mais adiante.


O holandês assume postura crítica contra a dialética praticada pela igreja católica de seu tempo, pois cria que a ginástica intelectual distanciava da prática pregada por cristo. Mas estava comprometido com as estruturas da igreja e do poder dos seus nobres apoiadores, e sendo assim não podia atacá-la mas virilmente. Neste ponto Erasmo também reforça o ceticismo de seu pensamento quando percebe que o finito ser humano é incapaz de perceber a infinitude de seu deus. Seu ceticismo involui associado a uma prática niilista que o afunda numa corrente de imobilidade. Age, pateticamente. Não atinge o seu objetivo, pelo menos os que preconiza, não consegue conter a guerra, nem é a própria guerra religiosa.


O instrumento preferido de trabalho de Erasmo é a retórica. Arte que domina com maestria. A sua predileção por esta arte vem principalmente da característica de persuasão. Mas se mostra incompetente para atingir os objetivos. Perpetua-se, mas não consegue revitalizar a sua igreja.


Acreditava na possibilidade interpretativa individual ainda que científica das escrituras. Acreditava mais: cria na capacidade de transformar. Mudar. Trabalhava nisso. Procurava achar a melhor forma para alcançar seus intentos, mas rejeitava a violência e o vigor. Era manso.


Erasmo era sutil em sua forma. Buscava aproximar. Não desejava o afastamento. Infelizmente isso não foi o suficiente para que freasse a reforma protestante e menos ainda para colocar a sua reforma católica.


Visto assim, praticamente, Erasmo contribui para a formação de uma filosofia voltada para o ser humano. Evitando a violência buscando uma moralidade da submissão colocada em um Cristo que oferece a outra face, não no que quebra o mercado. Baseada em um Cristo crucificado e não um que arranca seu próprio coração e vocifera que não veio trazer a paz, mas a guerra.


E vocês? Do que vocês estão falando? Das possibilidades? Das vontades? Das suas potencializações? Ou de nada disso? Apenas se preocupam em oferecer a outra face?


Desta forma encerro a minha parte desta apresentação com meu pensamento:


Desejo-lhes força para suportarem a guerra que é a existência! Desejo-lhes sabedoria para verificarem que mesmo que a felicidade seja impossível a sua busca não está inviabilizada, por isso, que tenham a capacidade de transcenderem seus próprios limites na busca infinita e incessante de completar o vazio existencial que não se preenche.

BIBLIOGRAFIA

DINIZ, Eli. Ética e Política1, Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Acessado em Abril/2006. Disponível em: http://www.ie.ufrj.br/revista/pdfs/etica_e_politica.pdf
FREITAS, Newton. Evolução do Estado e Neoliberalismo. Acessado em abril/2006. Disponível em: http://www.newton.freitas.nom.br/artigos.asp?cod=199
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo, Ed. Ática, 2000.
ÉTICA POLÍTICA E MORAL PRIVADA: SOBRE AMBIGÜIDADES NO REGRAMENTO JURÍDICO DA VIRTUDE POLÍTICA Arquitetura dos modelos de virtude política segundo éticas de princípio. Acessado em maio/2006. Disponível em http://sisnet.aduaneiras.com.br/lex/doutrinas/arquivos/etica.pdf
TOSI, Giuseppe. Direitos Humanos Como Ética Republicana. Acessado em Abril/2006. Disponível em: http://giuseppetosi.blog.kataweb.it/giuseppetosi/2005/09/direitos_humano.html
DOLAN, John Patrick. A Filosofia de Erasmo de Roterdã. Midras. Poá. 2001
ROTERDÃ, Erasmo. A Educação de um Príncipe Cristão - Tradução de Vanira Tavares de Sousa. Louvre, Paris.
ROTERDÃ, Erasmo. A Educação de um Príncipe Cristão - Tradução de Paulo M. Oliveira. Louvre, Paris.

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